Desmantelada quadrilha de falsificação de ingressos
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Por pouco, cerca de 4 mil ingressos ''clonados'' em Curitiba não foram parar nas mãos dos cambistas cariocas antes do jogo de volta entre Fluminense e LDU, que decidirá a Copa Libertadores da América, no próximo dia 2. Foi o que revelou o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, durante a entrevista coletiva concedida ontem para esclarecer os últimos detalhes da operação que desmantelou uma quadrilha local de falsificadores de entradas. ''Comos os ingressos seriam vendidos em média por R$ 150, eles teriam um lucro de cerca de R$ 150 mil somente com essa partida'', afirmou o secretário.
O esquema, desmantelado pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) e levado a público no último sábado, era comandado pelo representante da empresa BWA em Curitiba, Jurimar César Domakoski. Com sede em São Paulo e filiais em vários estados, a BWA Tecnologia e Sistema em Informática é uma das maiores fornecedoras de ingressos do país. Na capital do Estado, terceiriza serviços para o Coritiba, que até então cedia um espaço dentro do estádio Couto Pereira para a confecção das entradas.
Há dois meses, a diretoria do clube constatou que, em alguns jogos, havia ingressos com a mesma numeração de série. Mas se tratavam de entradas ''quentes'', pois não eram rejeitadas pelas catracas. Além disso, notou-se a atividade de cambistas mesmo em jogos de pouco apelo de público, quando sequer havia fila nas bilheterias. Diante dos fatos, o próprio presidente do Coritiba, Jair Cirino, procurou a polícia.
De acordo com a DEDC, a clonagem era feita em uma gráfica na Cidade Industrial e no próprio espaço da BWA no Couto Pereira. Os fraudadores usavam matrizes em branco para imprimir os ingressos e os validavam por meio de um código emitido pelo sistema interno da empresa. No caso de jogos realizados fora de Curitba, a quadrilha recebia bilhetes originais e reenviava as cópias via sedex ou malote. Partidas do Campeonato Brasileiro e até o jogo da seleção brasileira contra a Argentina, realizado em Belo Horizonte, na última quarta-feira, também tiveram entradas clonadas.
Terminadas as investigações e a reunião de provas, o juiz Pedro Sanson Corat, da Vara de Inquéritos Policiais, emitiu cinco mandados de prisão. Além de Jurismar Domakoski, foram presos em Curitiba dois funcionários da BWA: Anísio Vanderlei Cardoso, responsável pelo repasse dos ingressos, e Thiago Domakoski, filho do representante da empresa. No Rio de Janeiro, a polícia prendeu outras duas pessoas que encomendavam as entradas.
Domakoski afirmou que a direção da BWA não estava envolvida nas fraudes. Mas, para Delazari, a empresa tem sua parcela de responsabilidade no caso por não conseguir controlar seu estoque de ingressos - e, por isso, será ouvida no inquérito. ''Depois de tudo isso, fica uma pergunta no ar: Até que ponto existe segurança nesse tipo de serviço?'', concluiu Delazari.


