Desistência do Águia expõe crise nos pequenos clubes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
A realidade do futebol paranaense está longe do glamour de um título brasileiro. 2002, que nem começou, promete ser de mais dificuldades para os clubes que não tem acesso aos milhões de dólares investidos pelas redes de TV e pelos grandes patrocinadores.
Sem poder contar com a 'mãozinha generosa' dos prefeitos atormentados pela rigidez legal nos gastos públicos e prejudicados pela incerteza econômica que atinge os pequenos e médios empresários locais, os clubes do interior do Estado se dividiram basicamente em dois grupos: os que se mantém com apoio de empresários que vivem do futebol e os que firmam parcerias com grandes clubes.
No terceiro grupo os do que abandonam a aventura do profissionalismo devido à ruína financeira está o campeão da Série A-1 (equivalente à Terceirona), o Águia, clube fundado em dezembro do ano passado em Mandaguari (33 km a leste de Maringá).
Nem mesmo o título invicto em seu primeiro ano de atividade motivou os empresários locais a fazerem obras de adequação no Estádio João Paulino Vieira Filho, com capacidade para 1,2 mil pessoas.
A praça esportiva está cedida em comodato a uma escolinha de futebol o que impediria o investimento direto do tesouro municipal, receita com publicidade estática, além de onerar o custo de cada partida e teria que ser redimensionado para as disputas da Segundona. Os recursos faltaram também para a construção de um campo para treinamentos e para o pagamento dos salários de jogadores e comissão técnica.
O sócio-proprietário do Águia, o empresário Jair Piasentin, disse à Folha que ''é hora de dar um passo atrás''. ''Cheguei a me desfazer de patrimônio pessoal. Vi que era hora de recuar'', admitiu o empresário, lembrando que pode negociar a volta das atividades do clube em 2003, em outra cidade.


