Desigualdade marca Leites Nestlé x Recreativa
São Paulo, 29 (AE) - O decantado equilíbrio da Superliga Feminina de Vôlei não entrará em quadra neste domingo, na única partida prevista pela terceira rodada do returno da competição. A equipe do Leites Nestlé, apoiada por uma forte estrutura profissional, enfrenta o "amador" time da Recreativa, no Ginásio da Cava do Bosque, em Ribeirão Preto. O jogo está marcado para as 13h30 e terá transmissão direta pela TV Bandeirantes.
Para enfrentar o "favorito" Leites Nestlé, a Recreativa usará uma arma simples: a falta de responsabilidade, segundo o técnico Antônio Rizola Neto. "Vamos jogar sem compromisso com a vitória", diz o treinador. "Talvez, assim, possamos dar mais trabalho para o adversário." Sem patrocinador e com um time formado em sua maioria por jogadoras infanto-juvenis e juvenis, a Recreativa participa da Superliga no sacrifício.
O clube banca a ajuda de custo para as atletas, os salários dos integrantes da comissão técnica e as despesas com as viagens da competição. "Nossa delegação só viaja de ônibus e no esquema vai e volta", revela o treinador. "Só na ida de Ribeirão Preto para Macaé, no Rio, gastamos 15 horas." Outra medida tomada para a contenção de despesas foi montar uma delegação "enxuta" para os jogos fora de casa, com 12 jogadoras e 3 pessoas da comissão técnica.
A Recreativa voltou ao esquema amador de dez anos atrás, depois de ter time competitivo e de até conquistar o título brasileiro na temporada de 1993/1994, quando foi patrocinada pela Nossa Caixa. "Voltamos a ser mantidos apenas pelo clube, como em 1989", lembra Rizola, que sexta-feira se reuniu com representantes de uma empresa de Ribeirão Preto, tentando uma parceria. "Queremos dinheiro para melhorar a situação do time e do clube", prossegue. "Neste domingo, por exemplo, jogaremos com TV e a empresa já teria um pouco de retorno de seu investimento."
Apesar de todo o sacríficio, Rizola, que trabalhou quatro anos na Itália, está feliz por estar revelando talentos. De sua equipe, ele destaca a meio-de-rede Lígia, de 20 anos e 1,97 metro. "Até há 40 dias, ela brincava de vôlei em Franca", diz. "Agora, é titular de minha equipe e joga na Superliga." O grande desejo do treinador é poder contar com o grupo atual de jogadoras por mais dois anos. "Quero ver estas meninas jogando em 2001", comenta. "Teríamos um time bastante competitivo."





