Desgaste dos atletas assusta comissão da seleção brasileira
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sábado, 29 de maio de 2004
Agência Estado 
Teresópolis - A comissão técnica da seleção brasileira cuida dos jogadores em Teresópolis como se tivesse polindo cristais. Cuidado exagerado para não quebrar nenhum atleta. A preocupação é com o desgaste físico dos que atuam em clubes da Europa, todos em final de temporada. Da comissão técnica, apenas o treinador Carlos Alberto Parreira tenta minimizar o problema. ''Contra o desgaste, a atitude mental. Assim podemos vencer a Argentina'', prega Parreira.
Não é tão simples assim. A maioria dos jogadores chegou do futebol europeu sem fôlego e pernas. Kaká acusa tendinite nas duas pernas. Juan e Roque Júnior sofreram contusões. Juninho Pernambucano e Edmílson fecharam o Campeonato Francês apenas na semana passada. E Ronaldo e Roberto Carlos pagam o preço alto pela falta de uma boa pré-temporada no Real Madrid.
''Os jogadores estão no limite. Antes do amistoso contra a França, fiquei assustado com as queixas. Mais de dez jogadores reclamaram de cansaço, dores mesmo. Há muito tempo eu não via isso na seleção'', comentou Luis Rosan, fisiologista da seleção brasileira.
Moracy Sant'Anna, preparador físico, é o encarregado de não deixar um cristal escapulir das mãos. Na sexta-feira, quando a seleção brasileira desembarcou na Granja Comary, em Teresópolis, ele tratou a turma com cautela. ''Não podemos exagerar. Vale mais uma boa alimentação, repouso. O nosso trabalho é manter os atletas no patamar em que estão. Não podemos avançar. O frio também colabora para irmos com calma.''
O preparador físico dedicou atenção especial a Kaká, o que mais sentiu os efeitos da desgastante temporada européia. ''Observamos os jogos dele na Itália. Nos finais das partidas ele se preocupava muito em ajudar a defender e isso ia sobrecarregando os músculos, o esforço refletiu na panturrilha'', disse Moracy.


