Imagem ilustrativa da imagem Desempregados FC
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"A maioria esmagadora dos jogadores de futebol está desempregada com o fim dos estaduais". A afirmação é de Felipe Augusto Leite, presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e apresenta um ciclo recorrente entre os jogadores: o desemprego na maior parte da temporada.

O número de jogadores que ficam sem ocupação após o fim dos estaduais não é exato, mas fica em torno de 70% dos atletas que participaram das competições, segundo o próprio mandatário da Fenapaf. O número aumenta ainda mais após o fim do primeiro semestre e o encerramento de torneios regionais, segundas divisões dos estaduais e a primeira fase da Série D do Brasileirão. "Temos hoje cerca de 3 mil atletas em atividades disputando das série A até a D, todos registrados. Porém, só nessa mudança do fim dos estaduais até o começo dos nacionais, de 65 a 70% ficam de fora", reforça Nivaldo Carneiro, presidente do Sindicato de Atletas de Futebol do Paraná.

As propostas para a melhoria no calendário do futebol brasileiro se acumulam na mesa dos mandatários da CBF sem que sejam colocadas em prática. A última feita pela Fenapaf propunha soluções num aspecto macro e micro. A primeira seria a criação de um fórum de debates entre clubes, sindicatos, imprensa e outras entidades ligadas ao esporte. A outra consiste na extensão imediata do calendário, na mudança em regulamentos e na extinção do mata-mata na segunda fase do Campeonato Brasileiro da Série D, que elimina mais da metade das equipes ainda no primeiro semestre.

"É uma necessidade repensar tudo isso, a CBF se encontrou conosco durante a reunião com os 60 clubes das séries A, B e C e ela soube que está em pauta, mas realmente não houve nenhuma decisão. Segundo eles é difícil apertar o calendário na Copa do Mundo, a expectativa é que ano que vem tenha [a mudança], esse ano tem Copa, então realmente está difícil, não há promessa, é expectativa, hoje essa é uma discussão dentro da CBF, a informação nos foi passada pelo próprio Walter Feldmann [secretário-geral da CBF]", aponta Felipe Leite, que atuou profissionalmente por clubes como América-RN e Vasco.

Desprestígio
A viabilidade econômica dos campeonatos estaduais vem sendo discutida corriqueiramente por vários segmentos relacionados ao futebol e a única certeza existente é que o prestígio das competições não é mais o mesmo. A discussão do modelo é um dos pedidos feitos pela Fenapaf e pelos sindicatos de atletas estaduais ao governo e à CBF.

"A nossa preocupação principal como representantes do Paraná é tentar proporcionar o maior número de competições possíveis aos clubes durante o ano todo. Tem jogador que fica mais de seis meses sem jogar, desempregado, disputando torneios sem garantia de contrato, é a nossa maior preocupação hoje. Os caras de primeira linha têm estrutura, estão bem, mas veja quantos sobram", aponta Nivaldo, ex-jogador do Atlético-PR e Grêmio Maringá.

A questão sai do âmbito esportivo e gera um problema social quando se chega ao desemprego. Segundo o presidente da Fenapaf, é comum que atletas complementem renda com bicos ou subatividades no restante do ano, mas a maioria não consegue outras oportunidades e acaba enfrentando doenças como depressão e alcoolismo, o que gera crises familiares. "Tomamos conhecimento de casos de perda total de dignidade", revela. "Problemas de violência mesmo, atletas que não conseguem se manter ou conseguir fonte de renda".

A Federação Paranaense confirmou a realização de mais uma edição da Taça FPF sub-23 a partir do segundo semestre. A competição vale vaga para o Campeonato Brasileiro da Série D e a Copa do Brasil do ano seguinte. A FOLHA fez contato com a CBF, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Supervisão: Diego Prazeres
editor interino de Esporte

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