Desculpas não faltam na seleção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de abril de 2004
Das Agências 
São Paulo - Marque com um 'x' o item abaixo que justifique com mais precisão a atuação medíocre do Brasil no empate com o Paraguai. Quase todas as desculpas foram previamente citadas por jogadores e comissão técnica da equipe, em Assunção. Algumas surgiram após a partida: ( ) calor intenso; ( ) grama alta; ( ) campo pesado; ( ) fuso horário; ( ) desgaste da viagem; ( ) tempo escasso para treinos; ( ) o forte time do Paraguai; ( ) nenhuma das anteriores.
Se você optou pela última alternativa, deve concordar que algo no mínimo estranho vem ocorrendo nos últimos jogos do Brasil pelas Eliminatórias. A seleção é composta por atletas que atuam na Europa, quase sempre obrigados a deixar de lado os badalados campeonatos de seus países ou a disputada e concorrida Liga dos Campeões para compromissos de pouco apelo, desinteressantes, como as partidas que vão apontar os classificados para a Copa do Mundo de 2006.
Dos 18 jogos das Eliminatórias, somente dois despertam uma atenção especial: os confrontos de ida e volta com a Argentina. No mais, tratando-se de Brasil, o interesse está no adversário que recebe em casa a equipe pentacampeã mundial. É a chance de os vizinhos ganharem dinheiro fácil, utilizando-se da imagem da seleção brasileira. Isso ocorre de várias maneiras.
Quarta-feira, em Assunção, o técnico Carlos Alberto Parreira teve de dar entrevista num local improvisado, próximo a uma garagem do Estádio Defensores Del Chaco. Por quê? No auditório reservado para a conferência havia um painel enorme com os anunciantes do time do Paraguai.
Os donos da casa queriam fotos de Parreira, de Ronaldo e de outros jogadores do Brasil com o logotipo de seus patrocinadores ao fundo. Isso ilustra o perfil dessas partidas servem como socorro financeiro para confederações pobres.
O Brasil aceita a forma de disputa das Eliminatórias por causa de pretensões a médio prazo. Quer ser o país-sede da Copa de 2014 e, portanto, precisa do voto de todos os sul-americanos. Jogadores consagrados não se negam a vestir a camisa do Brasil, mas reclamam do cansaço das viagens contínuas da Europa.
Para aumentar o problema, a seleção brasileira ultrapassou a metade inicial do primeiro turno das Eliminatórias sem empolgar e com um modesto terceiro lugar na classificação. E com motivos de preocupação, já que, pelo menos no que indica a tabela, a parte mais difícil do torneio ainda está por vir. Dos quatro adversários que ainda restam até o final do turno, três (Argentina, Chile e Venezuela) estão entre os cinco primeiros.


