Kuala Lumpur, 18 (AE) - O dia seguinte de uma das desclassificações mais discutidas dos últimos tempos na Fórmula 1 registrou reações que vão desde violentos ataques à atual gestão da Ferrari até a suspeitas de interesses escusos na história. Enquanto a imprensa italiana, indignada, exige um basta nas seguidas trapalhadas e cobra a cabeça do diretor esportivo da equipe, o francês Jean Todt, o empresário de Michael Schumacher, o alemão Wili Weber, fala em sabotagem.
A direção da Ferrari não se manifestou hoje, ainda, para explicar a razão os defletores dos carros de seus pilotos estarem milímetros a menos do exigido pelo regulamento. "Estamos investigando", contou Ross Brawn, diretor-técnico. A preocupação de Jean Todt e Ross Brawn era outra: passaram o dia em contato com advogados da equipe a fim de estudar a estratégia de defesa da apelação que será apresentada no julgamento, sexta-feira em Paris.
Os jornais da Itália, como a Gazzetta dello Sport, definiram como "O Drama de Sepang" a desclassificação de Eddie Irvine e Michael Schumacher no GP da Malásia, depois de uma das mais belas dobradinhas da Ferrari. "Fora os culpados" é a manchete do mesmo jornal, enquanto o Resto del Carlino, de Bolonha, traz em primeira página: "Uma vergonha."
Em Macao, onde ficará até o GP do Japão, última corrida do ano, dia 31, Eddie Irvine se limitou a afirmar "ridículo" sobre sua desclassificação. Já Mika Hakkinen, bicampeão do mundo se confirmada a punição à dupla da Ferrari, declarou, segundo a imprensa finlandesa: "A Ferrari ganhou honestamente." Depois comentou: "Não me agrada conquistar um título dessa forma, não me faz bem, não posso falar mais por orientação da minha equipe (McLaren)." A direção da Mercedes, sócia da McLaren, seguiu a mesma linha. O diretor esportivo, Norbert Haug, afirmou: "A desclassificação é uma boa notícia para nós, mas não foi um campeonato vencido pelo nosso time." Referindo-se ao ano passado, quando também foram campeões, falou: "Esse título não tem um gosto doce na nossa boca, como em 1998."
Bastante oportuna parece ser a colocação do especialista em aerodinâmica da Jordan, Tim Edwards. Segundo ele, a vantagem é tão pequena, em se adotar a base dos defletores menor, como fez a Ferrari, que não é possível ser calculada. "Não foi intencional, o risco era muito grande para praticamente nenhuma vantagem." Edwards questiona, no entanto, o porquê de o defletor ter sido checado. "Os comissários foram direto na peça
o que usualmente não é verificado nesse nível de detalhe." Ao falar também em suspeitas da ação de interessados no resultado, Willi Weber fez questão de deixar claro: "Descarto qualquer coisa que se possa pensar dos integrantes da McLaren."
A palavra complô é muito forte para ser usada, segundo falou Paolo Fresco, presidente do consórcio Fiat, proprietária da Ferrari. "Se existe mesmo irregularidade, por qual razão ela não foi denunciada quando perdemos em Nurburgring", questiona. "Por que só agora, que vencemos, descobriram, se o carro é o mesmo?" Apesar de tanta agitação, o dia começou tranquilo em Maranello, na sede da Ferrari. Luca di Montezemolo, presidente da empresa, reuniu-se com executivos da organização, para descobrir onde houve falha, se no projeto, excecução ou controle de produção dos defletores. Montezemolo, ao contrário do que poderia se imaginar, estava muito traquilo. "Foi uma grande vitória, todos estão de parabéns", afirmou.
Na Itália também, o presidente de honra da Fiat, Gianni Agnelli, desta vez reagiu com mais energia à trapalhada de Sepang. "Espero muito mais que o segundo lugar da Ferrari", afirmou. "Eu pessoalmente trouxe o melhor piloto do mundo para nossa escuderia."

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