Descenso ameaça campeão da Copa do Brasil 99
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 30 (AE) - Sete jogos e nenhuma vitória. Este é o desempenho do atual campeão da Copa do Brasil, o Juventude, no Campeonato Brasileiro.
Se a competição terminasse agora, Juventude e Botafogo, justamente o campeão e o vice da mais importante competição do primeiro semestre no calendário do futebol no país, estariam rebaixados para a segunda divisão. "Somos obrigados a vencer os três jogos que teremos em seguida em nosso estádio", admitiu hoje o gerente de futebol, Túlio Cunha Lima.
Aparentemente não é tão difícil que a pretensão de Cunha Lima se concretize. Os três próximos adversários do Juventude são a Ponte Preta, o Vitória e o Botafogo/SP.
"Vamos convocar a nossa torcida para lotar o Alfredo Jaconi"
adianta. O quadro vivido pelo Juventude torna-se mais delicado devido a sua má campanha em 1998. Acabou em 17º lugar. Escapou mas sentiu o calafrio do descenso. Hoje, a soma dos pontos do ano passado com os mirrados quatro de 1999 fragiliza sua situação. Depois da última rodada, o alviverde de Caxias do Sul tem somente 19% de aproveitamento e ocupa a 21ª colocação.
As explicações para a crise incluem desde a troca do técnico com a competição em andamento - Walmir Louruz foi para o Internacional e chegou Heron Ferreira -, a adaptação de alguns reforços e até uma dose excessiva de azar. A sorte madrasta estaria na origem da perda, no mínimo, de quatro pontos que, se obtidos, retirariam o time da linha de tiro.
Diante do Guarani, em Campinas, empatava em 0x0 quando levou um gol aos 43 minutos do segundo tempo. Contra o Grêmio, vencia por 1x0 e sofreu o empate ainda mais tarde, aos 47 do segundo tempo. "E perdemos um pênalti contra o Cruzeiro, jogo que terminou em 0x0", citou Cunha Lima. Ele argumenta ainda que o Juventude enfrentou, na sua maioria, adversários mais difíceis - Cruzeiro, Corinthians, Grêmio e Palmeiras.
A formação atual não é tão diferente daquela que levantou a Copa do Brasil. Perdeu o zagueiro Capone, que foi para o Galatasaray, da Turquia, e o centroavante Márcio, que foi para a Portuguesa e depois rescindiu o contrato. Com Picolli no lugar de Capone e Cris na posição de Márcio, o time arrancou um empate em zero no Beira-Rio, diante do Inter, na última rodada. "Foi um belo resultado", observou o gerente de futebol, lamentando apenas que, no contexto, não tenha ajudado muito.
Dos quatro empates no Brasileiro 99, dois deles (Grêmio e Cruzeiro) aconteceram em Caxias do Sul. O terceiro foi extraído do Paraná Clube, em Curitiba, e o quarto do Inter, no Beira-Rio. As derrotas aconteceram para Palmeiras (3x1), em São Paulo; Guarani (1x0), em Campinas; e Corinthians (3x1), em Caxias do Sul.
O ambiente no clube já esteve mais pesado. Depois da derrota de 3x1 para o Corinthians, o zagueiro Indio criticou o técnico, dizendo que "faltou raciocínio" no momento do montar a equipe.
Referia-se ao fato de Heron Ferreira, desgostoso com o fraco rendimento de vários jogadores, ter mudado meio time para enfrentar a equipe de São Paulo. O time foi muito mal e perdeu por 3x1. Logo depois, porém, Indio pediu desculpas ao técnico. Heron Ferreira retornou a uma escalação bastante parecida com a de Louruz e, no compromisso seguinte, a equipe voltou a jogar bem (empate em 0x0 com o Inter).


