Esquerda ré! Esquerda ré!! Direita frente! Todo mundo frente!! grita o instrutor de rafting, Otto Hassler, tentando esquivar o bote das pedras orientando os oito marinheiros de primeira viagem, entre fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas, no meio da turbulenta descida de uma das corredeiras do Rio Itajaiaçú – melhor rio para a prática do rafting do sul do país. Batidas, solavancos, gritos, urros, enfim, a emoção de descer o rio num bote inflável, flexível, fazem do rafting uma atividade que envolve adrenalina, coragem e ainda proporciona ao ser humano um contato íntimo, e molhado, com a natureza...
Dependendo do tamanho do bote, o número em cada aventura varia entre duas e dez pessoas. Neste caso, eram dez, quatro de cada lado remando, mais duas meninas sentadas no meio, segurando-se como podiam. Era o maior bote responsável pelo transporte de juízes e da imprensa a alguns pontos estratégicos, para testemunhar o desempenho das equipes que concorriam num dos mais importantes eventos de rafting já realizados no sul do país: o 1º Campeonato Catarinense Open de Rafting.
Rolou neste último fim de semana nas águas do Rio Itajaiaçú, em Apiúna, Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Numa experiência inédita, como primeiro evento catarinense, a Ativa Rafting, principal operadora da modalidade da região, em parceria com a Confederação Brasileira de Canoagem e Federação Catarinense de Canoagem, abriu o evento para equipes do Brasil à fora. Além das quatro equipes ‘catarinas’, participaram gaúchos, paranaenses, paulistas e cariocas, totalizando 73 competidores agrupados em doze equipes. O Itajaiaçú por ser considerado ideal para a prática do rafting, já foi palco de vários eventos de repercussão nacional.
Por incrível que pareça, a chuva constante e a previsão de que a frente fria ficaria estacionada na região por mais alguns dias, animou os competidores que chegavam das diferentes cidades. Constatei que o rafting é um dos únicos esportes no qual uma boa dose de chuva é sempre bem-vinda. Explico: a chuva faz o nível do rio subir, tornando mais rápida e emocionante a descida. Com o novo volume de água, o rio ganha em profundidade, diminuindo as chances dos habituais encalhes dos botes nas pedras, e as corredeiras ficam ainda mais fortes e radicais para os atletas.
Pura desfeita! São Pedro regou no lado errado, no meio do rio. Para que o nível da água suba é preciso que uma enxurrada consistente atinja a cabeceira do rio. Não foi o que aconteceu. Pelo menos o mau tempo contribuiu para que a linha do rio não baixasse, viabilizando um verdadeiro show por parte dos rafteiros participantes do campeonato. A preocupação com a chuva só ficou por conta dos fotógrafos, que com suas sombrinhas protegiam seus equipamentos como podiam. Para os atletas tanto faz. A água se não vem de cima, certamente virá de baixo... do rio.
As provas foram divididas em duas modalidades: a de slalom e a de descenso. A slalom consistia em descer o rio passando por obstáculos, as chamadas portas, que indicavam o trajeto da prova. Os botes tinham que passar no meio destes arcos sem que nenhum componente da equipe passe por fora, ou mesmo toque nas balizas. Um desafio e tanto, se considerarmos que o mero fato de manter o barco em rumo e equilibrado se traduz num sacrifício que exige muita destreza e experiência por parte dos atletas. A velocidade das águas correndo entre pedras e desníveis originam inúmeros redemoinhos – água vem, água vai, formam-se pororocas... é uma confusão líquida impressionante! Não sei como o bote aguenta...
Para complicar, ainda no slalom, existem as portas de remonta, umas de cor vermelho, nas quais os pobres atletas têm de contorná-las, com extrema técnica, remando contra a correnteza. Tanta dedicação é recompensada pelos momentos de adrenalina e na experiência de sentir de perto a força das corredeiras do rio abaixo. Assim se caracteriza a modalidade de descenso. São 4,5 quilômetros de corredeiras intercaladas por remansos (zonas de águas mais calmas). As equipes largaram em baterias de cinco botes fazendo desta, a prova de maior emoção do evento. A equipe paranaense masculina Ixion Geo/Bull Terrier surpreendeu e faturou o primeiro lugar nesta modalidade, perdendo no geral, pela diferença de um segundo na prova slalon, para a impecável equipe gaúcha Central Sul, da cidade de Três Canoas. No feminino, a briga também foi acirrada, as cariocas da Aventureiras ganharam por pouco das curitibanas da Ixion Geo. Pelo campeonato catarinese local, valendo pelas mesmas provas, apenas pontuaram as equipes locais, consagrando-se campeão o grupo da Ativa Hering.

A equipe feminina do Paraná – Cachoeira Ixion Geo – mostrou muita garra durante o campeonato, conquistando o segundo lugarNo rafting ão tem tempo ruim. A chuva ajuda a manter o nível da água elevado, garantindo a aventura dos rafteirosImpacto ambiental
não é afetado
pela modalidade

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