Manter a tradição. Numa terra como o Norte Paranaense, colonizada por alemães, espanhóis, italianos, japoneses e portugueses a torcida em época de Copa do Mundo fica dividida. Até alguns anos atrás, várias famílias se reuniam para acompanhar jogos do país natal e matar saudades. Ainda é possível encontrar quem se reúna, mas são apenas poucos parentes e amigos, e sem tanta cerimônia. A maioria dos descendentes já está na terceira idade e os filhos e netos não acompanharam a tradição. Se identificam mais com a seleção brasileira.
O septagenário Pedro Bernardy é descendente de alemães. Reside em Rolândia, onde até há poucos anos a colônia se reunia no Club Concórdia, no centro da cidade, para assistir aos germânicos em campo. Ele afirma que neste ano ninguém organizou uma festa maior, diferente de 2006, quando a Alemanha sediou o campeonato e mobilizou parte da colônia.
O filho de um dos primeiros colonizadores daquela cidade conta que a partir da terceira geração, que é formada por netos e bisnetos, todos torcem para o Brasil. ''Eles são brasileiros. Poucos pensam em manter a tradição. A cada Copa eu percebo que é menor, porque os alemães originais são de mais idade'', afirma.
Nos bons tempos do Concórdia, Bernardy se recorda que era montado um telão onde a turma torcia e festejava, embalados por música típica e muito chopp gelado. ''Era muito bacana, mas acabou. Eu sinto falta, mas como também estou com 70 anos, não dá mais ânimo'', desabafa. ''Antes nem todos tinham televisão em casa e era um pretexto para se reunir'', completa.
A exemplo dos alemães, a colônia nipônica já não acompanha com tanto entusiasmo quando a seleção japonesa entra em campo na Copa. Segundo Celso Hayashi, da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (ACEL), quem gosta de ver o Japão jogar são os mais velhos, como pais e avós da nova geração. Os mais novos preferem torcer para o Brasil.
''Somos todos brasileiros. Jogo do Japão quase não dá 'ibope'. Nossa geração torce mesmo para o Brasil. Se houver uma final entre o Japão e a seleção brasileira, vamos torcer para o Brasil'', finaliza Hayashi.

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