Na recente disputa do Campeonato Mundial de Judô por Equipes, realizado na Bielo-Rússia, os brasileiros brilharam, conquistaram a medalha de prata e viveram uma triste realidade.
Quando precisou de um simples esparadrapo, por exemplo, o judoca Edelmar Zanol, o Branco, teve de pegar um táxi, dirigir-se a uma farmácia da cidade de Minsk e fazer a compra sozinho. Para piorar, pagou todos os gastos com seu próprio dinheiro. A delegação brasileira sequer contou com um médico durante a competição.
‘‘É muito difícil participar de uma competição deste nível sem um médico porque, no judô, é muito comum ocorrer todo tipo de contusão’’, lembra Branco. Gripes e outros problemas em função da mudança de fuso-horário e ritmo de vida na Bielo-Rússia também atrapalharam os desamparados atletas brasileiros. A delegação francesa, por outro lado, tinha quatro médicos, dois para equipe masculina e outros dois para a feminina.
Enquanto a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) obrigava os judocas a pagar gastos com o esparadrapo com o próprio dinheiro, os franceses tinham uma ajuda diária de US$ 250,00. Os brasileiros ainda tiveram de pagar para participar da competição. Contando com patrocínios individuais, eles desembolsaram, segundo Branco, US$ 3.430,00 para poder representar o nome do País naquela competição internacional.
Ironicamente, os franceses, favoritos e com uma excelente estrutura no Mundial, não resistiram aos talentosos brasileiros. Foram derrotados.
‘‘Antes das lutas contra eles, os jornais franceses diziam que eles iriam repetir, no judô, a final da Copa do Mundo de futebol’’, lembra Branco. ‘‘No fim, fomos aplaudidos de pé.’’ Em meio à emoção da vitória, os judocas brasileiros foram assediados por jornalistas, principalmente bielo-russos e holandeses. ‘‘Eles queriam saber a estrutura do judô no Brasil’’, conta Branco. ‘‘Tive até vergonha de responder.’’
Além dos franceses, os brasileiros eliminaram os italianos e os bielo-russos, donos da casa. Na final, eles perderam para o Japão.
Branco, que venceu as quatro lutas que disputou (três por ippon e uma com um wazari), lamenta o descaso dos dirigentes, mas fica feliz pelo espírito de companherismo da equipe. ‘‘Em uma competição por equipes, são fundamentais a união e a energia que um atleta passa para o outro’’, explica. ‘‘Mesmo que tenha sido derrotado, ninguém pode deixar o tatame com a cabeça baixa.’’

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