Desafio sobre-humano no deserto peruano
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Percorrer 100 quilômetros, em 24 horas, no deserto mais seco do mundo. É esse o desafio que espera os maratonistas Diego Duarte e Lino Riuzi Matsuo, da equipe Duarte Triatlon Team/Academia Gustavo Borges, de Londrina, na primeira edição da Ultramaratona do Deserto de Paracas, no Peru. Os dois londrinenses, que embarcaram ontem rumo à capital Lima, serão os únicos brasileiros presentes na prova. A largada está marcada para amanhã, às 17h30 (horário local).
Praticante de provas de corrida e maratonas já há mais de dez anos, Diego, de 31 anos, está acostumado com grandes desafios, mas nada que se assemelhe ao que ele espera encontrar em solo peruano. "É uma prova em que você só vê areia o tempo todo, e, com certeza, será um dos meus maiores desafios", comenta o atleta. Além do clima extremamente seco, ele e o companheiro de aventura terão que superar, entre outros, o frio intenso da noite e o solo arenoso, que dificulta a caminhada.
Não bastasse tudo isso, a prova é de autossuficiência, o que obriga a todos os 140 corredores inscritos a carregarem tudo o que forem precisar durante o percurso. "A única coisa que a organização oferece são dois pontos de água, nos quilômetros 30 e 60 da prova. O resto temos que levar tudo. Cada um leva uma mochila nas costas, que vai pesar em média uns cinco ou seis quilos, com comida, gel (repositor de energia), água, e outros objetos obrigatórios, como faca, medicamentos, apito", destaca Duarte.
Para não correr riscos de ver algo dar errado, a dupla utilizou os últimos quatro meses para treinar e se planejar exclusivamente para esse desafio. "É uma prova em que é preciso seguir à risca o que manda a organização, pois se você se perde é um deserto, não acha mais. É muito mais fácil dar algo errado do que certo", alertou Duarte, que vai competir na categoria 30-39 anos.
Matsuo, que começou a correr há três anos, também encara esse como seu grande desafio até agora. "Será uma prova muito difícil. É até difícil de prever o que teremos pela frente, mas temos que estar preparados para tudo", define ele.
O primeiro colocado da prova fatura um prêmio de R$ 1,5 mil. Mas a dupla londrinense nem está preocupada com dinheiro. O que interessa mesmo para eles é terminar a prova. "Nosso negócio é a chegada, participar de um evento como esse, ainda mais a primeira edição", disse Duarte. "Só de terminar uma prova como essa já é uma satisfação imensa. Logo que termina já dá vontade de fazer outra", emendou Matsuo, inscrito na categoria 50-59 anos.


