Imagine correr 100 quilômetros em três dias e ainda encarar neve, ar rarefeito, atravessar rios e lagos, passando por lugares onde nunca esteve. Parece inimaginável, não? Para muitos, sim, mas não para dois ultramaratonistas da equipe Gustavo Borges/Duarte Triatlon Team, de Londrina. O cenário não assusta nem um pouco Manolo Quero Volovickis, 46 anos, e Tiago Sassi, 29 anos, que vão encarar tudo isso no Desafio de Los Andes, entre os dias 8 e 10 de fevereiro.
A saga da dupla começa já na próxima sexta-feira, com o início da viagem para o pequeno balneário de Pucón, no Chile, já na Cordilheira dos Andes. De lá, eles largam para o já tradicional percurso de 98 quilômetros que vai atravessar a cordilheira rumo à Argentina, na cidade de Junín de Los Andes, ponto final da aventura. A prova começa com percurso de 31,5 Km no primeiro dia. O segundo será o mais puxado, com um trajeto previsto de 38,3 Km, e o último dia, o mais "leve", com 28,2 Km. Para este ano, estão inscritos cerca de 2 mil atletas para a prova individual. Entre eles estarão campeões de ultramaratonas de 25 países diferentes.
E um desafio desse tamanho exige uma preparação mais que especial. Afinal, um mínimo deslize pode colocar tudo a perder. "A gente começou a pensar nessa prova há seis meses", comenta o técnico da equipe, Diego Duarte. "Durante esse tempo, fizemos muitas trilhas, treinamos três dias puxados, tudo que dava para fazer fora do asfalto nós fizemos, mas prever exatamente as condições que vamos enfrentar por lá não tem como. Sempre vai ter uma surpresa, pois é um lugar que a gente não conhece", disse Volovickis, que é espanhol, mas mora no Brasil há 15 anos.
Quarto colocado geral na Maratona do Deserto do Atacama, em janeiro do ano passado, Tiago Sassi ressalta a importância do preparo psicológico para uma prova desta amplitude. "Numa prova longa, às vezes você chega a uma situação que o corpo não aguenta mais, e neste momento é que entra a cabeça. É muito importante", frisa. "Dói a cabeça, doem as pernas, dói tudo, mas quando tudo parece contra é que tem que colocar a motivação", completa o espanhol.
Bem preparada, a dupla também já tem na manga a estratégia para cumprir o primeiro objetivo, que é terminar a prova. "Como é uma prova longa, de três dias, não adianta queimar tudo no primeiro dia. Saber administrar é o segredo, administrar força e a energia. Não adianta chegar em 1º no primeiro dia e ficar esgotado para os outros", observa Sassi. "Envolve uma logística, uma série de detalhes que precisam funcionar", emenda o técnico.
Quem completa os 98 quilômetros do Desafio de Los Andes soma um ponto no ranking para participar da prova mais famosa do circuito de ultramaratonas do mundo, a de Mont Blanc, que é realizada na França, Itália e Suíça. Para garantir vaga é preciso ter, no mínimo cinco pontos.
"Participar de uma prova como essa é sempre um desafio pessoal e físico também para ver se consegue completar o percurso", afirma o ultramaratonista espanhol. "É preciso estar preparado para tudo", finaliza Sassi.

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