Desafio é manter motivação Os cuidados com o corpo não são suficientes para um atleta perpetuar-se no esporte: a mente precisa acompanhar a evolução. Manter a motivação para treinar e competir em alto nível durante 20 anos de carreira é um desafio para os atletas. Principalmente para quem já ficou rico, famoso e ganhou tudo o que disputou. Como explicar, por exemplo, a dedicação de Oscar Schmidt, o maior ídolo do basquete nacional, que religiosamente comparece aos treinos do Flamengo e é sempre um dos últimos a deixar a quadra? Oscar tem 1.425 jogos oficiais, já marcou 43.444 pontos na carreira, disputou cinco Olimpíadas, é o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, enfim, o que ainda pode faltar? ‘‘Quero ir muito mais longe e, quem, sabe, jogar até os 50 anos’’, afirma Oscar. ‘‘Meu sonho é um dia atuar ao lado do meu filho, Felipe, de 14 anos.’’ Persistência – O nadador paranaense Rogério Romero conseguiu chegar ao melhor da forma física e técnica com a maturidade. Especialista no nado de costas, Romero passou sete anos sem conseguir melhorar suas marcas. ‘‘É muito difícil para um atleta continuar treinando se os resultados não aparecem’’, conta Romero, que está na Flórida (EUA) se preparando para as Olimpíadas. Ele procurou variar seu treinamento para sair da rotina, corrigiu alguns erros que cometia e, no ano passado, as marcas começaram a melhorar. Romero foi o brasileiro com melhor desempenho na última Copa do Mundo, ganhando 9 medalhas em 12 etapas da competição. É o quarto colocado no ranking mundial dos 200 metros, costas. Aos 30 anos, Rogério Romero é sempre um dos mais velhos a entrar na piscina. Ele não se importa com as brincadeiras e provocações dos outros nadadores. Sua melhor performance foi a oitava colocação nos 100 metros, costas, nas Olimpíadas de Seul, em 1988. Agora, 12 anos depois, o nadador tem ambições maiores: ‘‘Vou nadar com condições de alcançar o pódio’’. (PG)