Agência Estado
De Winnipeg
Com dois objetivos nada modestos - quebrar o recorde de 21 medalhas de ouro, obtido em Havana/1991, e o de conquista de medalhas, 82, alcançadas em Mar del Plata/1995 -, a equipe brasileira participa a partir de hoje dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, considerados pelos canadenses como o terceiro maior evento esportivo já realizado no continente, depois das Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, e de Atlanta, em 1996, ambas nos Estados Unidos. A competição já começa hoje com a disputa das provas de canoagem.
Apesar do desfalque de alguns atletas importantes como Rodrigo Pessoa, campeão mundial e bicampeão da Copa do Mundo de hipismo; Aurélio Miguel, campeão olímpico e vice-campeão mundial de judô; e Ronaldo da Costa, dono da melhor marca da história em maratonas (2h6m5), o otimismo brasileiro tem seus motivos. A delegação brasileira é a maior de toda a história, com cerca de 650 pessoas, sendo 435 atletas. A maior é a dos Estados Unidos, com 773, seguida pela do Canadá.
Brasileiros estão inscritos em 36 das 41 modalidades esportivas, que serão disputadas até o dia 8 de agosto, quando está prevista a cerimônia de encerramento. ‘‘Mais importante do que termos um número recorde de atletas inscritos, é termos consciência da evolução das modalidades olímpicas do Brasil’’, diz o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. ‘‘O Pan-Americano de Winnipeg será uma vitrine para a Olimpíada de Sidney.’’
Comandada pelo iatista Robert Scheidt, atual campeão olímpico e tricampeão mundial da classe Laser, a delegação brasileira está na expectativa de brigar pela quarta colocação na classificação geral, atrás apenas de Estados Unidos, Cuba e Canadá. Scheidt será o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura da competição, que será realizada amanhã, a partir das 22 horas de Brasília, no Estádio de Winnipeg.
- Fiquei emocionado com a indicação feita pelo COB e tenho certeza de que minha participação na cerimônia será inesquecível - diz o velejador paulista, de 26 anos, que tentará o bicampeonato pan-americano. Quero muito fazer a minha parte, que é tentar obter a melhor campanha possível.
Além de Robert Scheidt, o Brasil aposta em vários atletas na tentativa de alcançar seus objetivos na competição. Entre as maiores estrelas do País estão os nadadores Gustavo Borges, Fernando Scherer e Luiz Lima; os atletas Eronilde Araújo, Claudinei Quirino, Maurren Higa Maggi e Sanderlei Parrela; os judocas Flávio Canto, Edelmar Branco Zanol e Ednanci Silva; a karateca Maria Ciça de Almeida; além das equipes de vôlei, basquete, handebol, pólo aquático e hipismo.
Além da distribuição de medalhas, o Pan-Americano de Winnipeg tem um atrativo especial para algumas modalidades: serve de Pré-Olímpico para Sidney, o grande objetivo dos atletas. Na luta por vagas na equipe olímpica estão handebol, triatlo, pólo aquático, tiro ao alvo e hipismo. ‘‘Serão, certamente, esportes com grande competitividade’’, comenta o ex-jogador de vôlei, atual superintendente-técnico do COB e chefe de missão brasileira, Marcus Vinícius Freire. ‘‘Todos os países vão querer garantir logo participação na Olimpíada.’’

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