A cada passe, a cada lançamento, a cada bola dominada, a cada falta, a cada escanteio, a cada tabela, a cada cabeceio, a cada chute.
Não será preciso mais do que jogadas comuns para que os torcedores do Coritiba e principalmente do Londrina sintam fortes emoções na partida de hoje no Estádio Couto Pereira, de onde sairá, no final da tarde, o primeiro finalista do Campeonato Paranaense 2003. A partida começa às 16 horas e terá trasmissão ao vivo pela Rede Paranaense de Comunicação.
Ao Londrina, só resta vencer para ir à final novamente contra uma equipe do interior (Paranavaí e Prudentópolis jogam amanhã à tarde no Noroeste) e recuperar o status de grande clube do Estado, perdido após 10 anos sem título e depois de oito anos fora do grupo dos quatro melhores.
O Tubarão tentará reverter a vantagem mantida pelo Coritiba na partida de sábado passado, no VGD. Os primeiros 90 minutos do confronto foram marcados pelo equilíbrio e pelo polêmico lance final.
Já nos acréscimos do segundo tempo, o árbitro ignorou uma falta de Tcheco sobre Júnior Gaúcho e segundos depois marcou uma falta de Jamur sobre o próprio Tcheco. A cobrança da falta originou o gol de empate e muita confusão dentro e fora de campo.
Carlos Jack Magno foi cercado pelos jogadores do Londrina e jornalistas da capital foram hostilizados nas cabines. As torcidas organizadas dos dois clubes se degladiaram no lado externo do VGD e Magno saiu do estádio disfarçado em uma ambulância. Já não faltava mais nada para a tensão subir a níveis perigosos.
Tanto que os comandados do técnico Roberto Fernandes terão que esquecer do apoio da torcida nesta tarde. Dificilmente os torcedores londrinenses se arriscarão a se agrupar em algum canto do Alto da Glória. Eles devem estar espalhados, sofrendo ou vibrando em silêncio.
O que não falta, porém, é otimismo ao torcedor do Tubarão, alastrado em forma de camisetas azuis pelo Calçadão ou pelos bares da periferia. O voto de confiança da torcida é reflexo do comportamento do time nos últimos três jogos, baseado em muita determinação e disciplina tática.
''Estamos tranquilos porque estamos em evolução'', explica Fernandes. ''Se o Londrina impor o seu ritmo, o de quem quer vencer, ficaremos perto da classificação'', prevê Márcio Alan, o meia que foi dúvida durante a semana por problemas musculares crônicos e que confirmou sua escalação somente quinta-feira.
Fabinho, que ao lado de Rocha e Paraguaio volta ao time depois de cumprir suspensão também dá sinais de boa auto-estima. ''Será um grande jogo, mas tenho certeza que será nivelado. Venceremos porque iremos apresentar um algo mais''.
Coritiba Apesar de aconselhar seus jogadores para que tenham humildade e respeito ao adversário na partida de hoje, o técnico do Coritiba, Paulo Bonamigo, já fala em título. ''O Coritiba tem jogadores jovens que ganharão muita confiança com a conquista do título paranaense e chegarão em ascensão para a disputa do Brasileirão'', afirmou o treinador.
Mas foi apenas uma ''escorregada'' do técnico que não faz o estilo falastrão e não se cansa de lembrar aos seus comandados que, apesar de ter a melhor campanha da primeira fase e a vantagem de jogar em casa, com apoio da torcida e por um simples empate para chegar à final, o Coritiba ainda não ganhou nada.
''Temos a vantagem, mas será um jogo difícil. Vocês viram como foi lá em Londrina'', disse o treinador, pedindo a confirmação aos jornalistas. A dificuldade aumenta porque o time estará sem dois dos melhores jogadores da equipe, o capitão Edinho Baiano, que está com a clavícula quebrada e só volta a chutar uma bola daqui a cinco semanas, e o lateral revelação Adriano, que está na Malásia, com a seleção sub-20.
A responsabilidade de substituí-los será de dois jogadores que se iniciaram no futebol da suburbana de Curitiba, o zagueiro Juninho e o lateral-esquerdo Ricardo. Este, com apenas 18 anos, fará a sua primeira partida como profissional.

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