Derrota na Austrália deixa time brasileiro sob pressão
Agência Estado
De Melbourne, na Austrália
O tênis brasileiro teve um dia para ser esquecido no Aberto da Austrália, com as derrotas de Gustavo Kuerten para o espanhol Albert Portas por 3 a 2 (4/6, 4/6, 6/4, 7/6 (8x6) e 6/4) e de Fernando Meligeni para Tomas Behrend, também por 3 a 2, parciais de 6/2, 4/6, 6/7 (5x7), 6/3 e 6/0. Pior consequência destes resultados agora é a pressão que restou para a equipe da Copa Davis do Brasil. No próximo mês, de 4 a 6 de fevereiro, enfrenta a França, em Florianópolis, praticamente na obrigação de conquistar uma vitória para apagar este mau começo de temporada em 2000.
A situação é complicada. Os dois titulares da equipe brasileira, Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni perderam as duas partidas disputadas este ano, em Sydney e em Melbourne, e chegarão a Florianópolis ainda sem ritmo e com a confiança abalada.
O capitão da equipe brasileira, Ricardo Acioly, culpou o calendário por esta decepcionante campanha no Aberto da Austrália. Disse que os jogadores sentem falta de ritmo e justamente ao retomarem os jogos, após o final do ano, vão direto para uma quadra rápida, em que não se sentem confortáveis.
Tenho certeza de que se a temporada começasse em quadras de saibro, os brasileiros iriam jogar muito melhor este início de temporada, disse Acioly. O Meligeni está sem jogar há um mês e meio, o Guga também não joga desde novembro e na hora de decidirem-se por um golpe, sentem-se inseguros, prossegue. Se fosse no saibro, os brasileiros começariam o ano com a cabeça diferente.
O técnico Larri Passos é de opinião que os jogadores sul americanos encontram dificuldades no início de temporada, pelo fato de tirarem férias na época das festas. Disse que mesmo com uma boa preparação como a que foi feita em Camboriú, o tenista tende a encontrar problemas para retomar o ritmo das partidas e manter-se concentrado na partida.
Para evitar novas surpresas, Acioly já decidiu que na próxima semana já dará início aos treinamentos em quadras de saibro para a equipe brasileira, antecipando assim a última etapa de preparação para o confronto com a França.
Ponto vulnerável Com mais esta inesperada derrota, diante de um oponente que tinha sob domínio, Gustavo Kuerten comprova que seu maior adversário é ele mesmo. No jogo com Portas, assim como em outras situações semelhantes em diversos torneios, Guga teve todas as chances de vitória. Fez dois sets impecáveis, mas, de repente, no terceiro perdeu-se pela falta de concentração. Estava em vantagem de 4 a 2 e permitiu a reação do espanhol.
Ainda assim, Guga manteve-se em boas condições na partida. No quarto set sacou para o jogo, com 5 a 4, e no tiebreaker teve três match points, o primeiro dele com o saque nas mãos. Mas no final da partida não sobrou motivos para orgulho.
Não tenho nenhum motivo para sorrir, disse Guga com a cara amarrada, depois da derrota. Estava no caminho certo, jogando bem e bastou cometer um ou dois erros para perder totalmente a confiança, prosseguiu. E não consegui mais voltar ao nível que vinha jogando.
Guga embarca de volta ao Brasil amanhã, fica o fim de semana em casa e na próxima semana reinicia treinamentos.
Decepção Também Fernando Meligeni, o Fininho, deixa o Aberto da Austrália com a cara da decepção. Não sonhava em ir tão longe no torneio, como Guga, mas acreditava numa campanha pelo menos razoável. Ficou ainda mais chateado, pois sente que está jogando bem e acabou eliminado na primeira rodada.
No vestiário parece que esta todo mundo de luto, ironizou Meligeni o fato de os dois brasileiros terem perdido na estréia da Austrália. Eu fiquei aborrecido, pois poderia vencer, mas cometi muitos erros e agora tenho de aplaudir e elogiar o bom desempenho do Tomas.





