Derrota frustra Ronaldinho e o 'capitão' Émerson
Agência Estado
Da Cidade do México
A frustação dos jogadores da Seleção Brasileira não foi só pela perda do título da Copa das Confederações, mas, principalmente, pelos erros que levaram o Brasil à derrota para o México. Os jogadores assumiram a derrota e reconheceram que a seleção foi vítima de suas próprias falhas. Perdemos para nós mesmos, não para o México, lamentou o volante Émerson, que chorou no vestiário após a partida ao ver frustrado o sonho de levantar a taça como capitão da equipe. Faltou experiência para a gente em disputa de uma final no campo do adversário.
Outro que ficou muito abatido com a derrota foi o atacante Ronaldinho. Responsável direto pelo quarto gol dos mexicanos, ao entregar a bola aos adversários em uma cobrança de falta, ele nem ficou sabendo que tinha sido escolhido pela Fifa o melhor jogador da competição - a escolha foi feita antes do jogo decisivo. O atacante, sempre solícito à imprensa, evitou contato maior após a partida. Falar o quê?, indagou já no hotel, arrumando as malas para a viagem de volta ao Brasil. Perder é muito chato, sei que terei muitas decisões pela frente, vou vencer algumas e perder outras, futebol é assim.
Ronaldinho será convidado pela Fifa para uma festa que a entidade vai promover em janeiro em Bruxelas, na Bélgica, onde será feita a entrega da premiação dos destaques desta Copa das Confederações. O atacante foi escolhido o melhor jogador e também será premiado como artilheiro do torneio ao lado de Blanco, do México, e Al Otaibi, da Arábia Saudita. Cada um marcou seis gols. O lance do quarto gol do México perturbou toda a equipe. Bati rápido demais, Vampeta estava se colocando e a bola acabou sobrando para os mexicanos, justificou Ronaldinho. Estava de costas para o lance, não vi nada, alegou Vampeta. De repente tinha cinco caras vindo para cima de mim e não sabia o que fazer, afirmou o zagueiro Odvan, que não teve como parar a jogada e evitar o gol mexicano.
Os jogadores reconheceram que a falta de experiência em decisões internacionais pesou quando o time entrou em campo para encarar o Estádio Azteca lotado de mexicanos fanáticos. Não sei se é pelo fato do time ser novo, mas às vezes a gente se perde em campo, afirmou Vampeta, que desvalorizou os méritos do México. O título foi decidido mais por erros do Brasil do que pelos acertos do México.
Até o goleiro Dida, que antes do jogo final tinha sofrido apenas quatro gols contando as partidas da Copa América, teve humildade para assumir o erro no primeiro gol sofrido. Estava adiantado, dei um passo para trás em falso, calculei mal a distância e não consegui espalmar para fora, explicou o goleiro de 1,95 metro.
FICHA TÉCNICA
México 4
Campos; Villa, Suárez, Márquez e Carmona; Pardo, Ramírez, Zepeda (Arellano) e Palencia (Terrazas); Abundis e Blanco. Técnico: Manuel Lapuente
Brasil 3
Dida; Flávio Conceição, Odvan, João Carlos e Serginho; Émerson, Vampeta, Beto (Roni) e Zé Roberto (Warley); Ronaldinho e Alex. Técnico: Wanderley Luxemburgo
Árbitro: Anders Frisk (Suécia)
Cartões amarelos: Zé Roberto, João Carlos, Abundis, Márquez, Blanco e Suárez
Cartão vermelho: João Carlos
Estádio: Azteca, na Cidade do México
Gols: Zepeda aos 12, Abundis aos 27 e Serginho aos 43 do 1º; Roni a 1, Zepeda aos 5, Blanco aos 16 e Zé Roberto aos 17 do 2º





