A derrota do Londrina para o Criciúma por 2 a 0 na noite de anteontem em Criciúma trouxe um prejuízo extra para o clube: o torcedor ficou ainda mais desconfiado sobre a qualidade do time. E o reflexo imediato foi sentido pelos funcionários da empresa que comercializa os kits com ingressos para os jogos em Londrina: a maioria dos torcedores contatados ontem pelos operadores nem quiseram conversa. ‘‘Além de não comprar, ainda criticaram muito os dirigentes’’, disse um funcionário à Folha.
Até o final da tarde de ontem, haviam sido vendidos 57 kits, informou o vice-presidente do Londrina, Agostinho Miguel Garrote. O kit é composto pelos ingressos, uma camisa do time e o livro ‘‘Do Caçula Gigante ao Tubarão’’, do jornalista J. Matheus, que conta a história do clube. O kit custa R$ 60,00 à vista ou em duas parcelas mensais de R$ 35,00. Na primeira fase, o Londrina fará oito partidas em casa pelo Módulo Amarelo da Copa João Havelange.
Para sorte do Londrina, existem alguns torcedores fiéis. É o caso do dentista Feis Feres Júnior. Ele comprou dois kits – ‘‘Um para mim e um para meu filho’’. E explica: ‘‘Sou de Marília e moro em Londrina há 15 anos. Essa cidade me recebeu muito bem e eu amo Londrina e o clube’’.
Feres disse não estar preocupado com o resultado negativo de quarta-feira – foi a estréia da equipe. ‘‘Fiquei triste, mas é início de campeonato e temos que dar o desconto. E não tenha dúvida, domingo estarei com meu filho no Estádio do Café torcendo pelo Tubarão’’, diz ele. O adversário será o 15 de Piracicaba.
O kit está sendo vendido pelo telemarketing e também na sede do Londrina (Estádio VGD) e na lotérica Camargo (Calçadão). Foram disponibilizados mil kits. O clube ainda não contabilizou o número total de vendas porque alguns funcionários do LEC estão pegando kits em troca de dívidas. O dinheiro arrecadado com os kits será investido nas categorias de base e na quitação de dívidas com funcionários do clube.
O objetivo, conforme o vice-presidente Agostinho Garrote, é fortalecer o trabalho de formação de novos jogadores – que ele considera ser a salvação, a médio prazo, para o Londrina. Hoje o Tubarão tem nas equipes menores cerca de 70 jogadores. Pelos cálculos do dirigente, R$ 25 mil por mês são suficientes para administrar as categorias menores.

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