Derrota decepciona alemães em Curitiba
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terça-feira, 04 de julho de 2006
Claudio Yuge<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O fim do sonho germânico em busca do tetracampeonato decepcionou muitos dos descendentes e simpatizantes da Alemanha em Curitiba. Por outro lado, a vitória italiana também aqueceu outra grande colônia de imigrantes na capital paranaense, que agora se prepara, no bairro Santa Felicidade, para o confronto final diante do vencedor do duelo entre Portugal e França.
A prematura eliminação brasileira parecia também ter tirado um pouco da empolgação dos alemães. Em Palmeira, a 78 quilômetros de Curitiba, os habitantes da Colônia Witmarsum não ligaram muito em fazer festa germânica por uma possível vaga na final. ''Acho que vai dar 2 a 0 para a Alemanha. Não entendo muito, mas tinha a impressão que o Brasil fosse para a final contra a Alemanha'', comentou Arlinda Jahn, 47 anos, uma das poucas torcedoras mais animadas pelo jogo no local, que abriga 1,2 mil descendentes e alemães.
Já em Curitiba, no famoso Bar do Alemão, reduto da torcida germânica durante a Copa, a festa foi intensa. Ainda mais pelo reforço de simpatizantes que seguiam outros países, mas ficaram para trás nas semifinais, especialmente os brasileiros. Com o jogo empatado nos dois tempos, a emoção acabou ficando para a prorrogação, quando todos se perguntavam se a partida iria novamente para os pênaltis, a exemplo da sofrida vaga conquistada diante da Argentina.
''O jogo está bom, a Alemanha está jogando bem e vai fazer 1 a 0 na prorrogação. Estava torcendo para o México, depois torci para o Brasil e agora estou torcendo para a Alemanha'', explicou, com um ''portunhol'' meio sem jeito, a estudante Miriam Huerta, 21, que é mexicana e faz faculdade de arquitetura em Curitiba.
A prorrogação continuou, a torcida alemã tentava disfarçar a incômoda pressão italiana com festa, porém, todos pressentiam que as coisas não iam muito bem. Até que Grosso, aos 14 minutos do segundo tempo, abriu o placar e deixou o bar em silêncio por alguns momentos. O segundo gol, de Del Piero, decretou então o fim do sonho germânico pelo tetra e revelou um 'tifosi' em território inimigo.
''Vim aqui torcer por causa dos meus amigos, mas sempre fui Itália'', disse, orgulhoso, o funcionário público João Luís Dalaqua, 20. Perguntado se não tinha medo de enfrentar a irritação germânica, o rapaz se apoiou na garra demonstrada pela Azzurra na partida. ''Sou peitudo, não dá nada. A Itália sempre vai ser melhor que a Alemanha'', completou.
A festa dos 'tifosi' se prolongou durante a noite em Santa Felicidade, tradicional bairro italiano em Curitiba. O reduto, aliás, deve fazer grande festa para a final contra franceses ou portugueses no domingo.
Do outro lado, muitos lamentaram a desclassificação alemã, até porque a equipe, desacreditada no início da competição, mostrou competência até mesmo para chegar à decisão do Mundial. Ainda assim, o sentimento foi de dever cumprido. ''A Itália e a Alemanha jogaram muito bem. Mas os italianos levaram mais sorte nos dois últimos minutos (do segundo tempo da prorrogação). Mas está tudo bem, a Alemanha fez uma boa Copa'', resumiu o alemão Konrad Rotter, 68, que sequer conseguia falar duas palavras em português e teve uma despedida do Mundial bem mais digna que os brasileiros.


