Rio - A confiança virou dúvida rapidamente no Flamengo. Depois de uma Taça Guanabara quase perfeita, quando terminou a fase de classificação invicto e com a melhor defesa da competição, os questionamentos vieram com força com as derrotas para o Botafogo, na semifinal do primeiro turno, e para o Resende, na estreia na Taça Rio. O técnico Dorival Júnior insiste que trata-se de uma queda de rendimento normal e que não há motivo para pânico.
Dorival Júnior, que não era o nome preferido da nova diretoria do clube, foi mantido no cargo para a temporada principalmente por ter contrato até o fim do ano, sendo que sua saída representaria alto custo. Mas a permanência dele está diretamente vinculada ao desempenho no Campeonato Carioca.
"Pressão faz parte do dia a dia. Há dez dias éramos a equipe sensação. Hoje, é pressão. Nós, profissionais, caminhamos de uma outra maneira, mais equilibrados, conscientes de que nem tudo está muito bom e nem tudo virou caos", comentou o treinador.
Um das opções para melhorar a produtividade do time, o garoto Mattheus está de saída do Flamengo. Filho do tetracampeão Bebeto, ele se recusa a discutir uma renovação contratual e força sua transferência para a Juventus. O promissor talento de 18 anos recebeu ótima proposta do clube italiano, que teria oferecido R$ 5 milhões ao Flamengo.
Como Mattheus tem contrato só até o fim do ano, o diretor de futebol Paulo Pelaipe já admite negociá-lo, uma vez que o garoto poderia deixar o clube sem retorno financeiro em dezembro. "Não houve acordo para uma renovação, passei o assunto para a vice-presidência de futebol, ao Wallim Vasconcellos, e o clube precisa vender para não ficar sem nada", disse Pelaipe.
Dorival Júnior está mais preocupado com quem está em campo. O que chamou mais a atenção na derrota de virada para o Resende na quarta-feira, depois de estar vencendo por 2 a 0, foi a fragilidade defensiva do Flamengo. Depois de sofrer cinco gols em nove partida na Taça Guanabara, o time levou três em poucos minutos na estreia na Taça Rio.
Dorival Júnior não gostou das ponderações a respeito da decisão de escalar Alex Silva, que vinha de longo período de inatividade no ano passado, ao lado do chileno González, outro zagueiro de pouca mobilidade. No início do ano, a dupla era formada por González e por Renato Santos, o mais atlético dos defensores flamenguistas.
Renato Santos foi barrado aparentemente por razões técnicas, no meio do primeiro turno. Mas Dorival Júnior indicou, após a derrota de quarta-feira, que os motivos podem ser extracampo. "Até o jogo contra o Botafogo (na semifinal), acho que eu não tinha o que falar. O Renato sabe muito bem o motivo por que ele saiu do time. Por que essa pergunta não foi feita antes do jogo contra o Botafogo?", reclamou o técnico, sem dar maiores detalhes.
Agora, para evitar um princípio de crise, o Flamengo precisará vencer o Boavista, no dia 23 de março, no Engenhão, pela segunda rodada da Taça Rio.

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