Deputados querem retomar a CPI da Nike-CBF
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Silvio Bressan 
Brasília, 27 (AE) - A briga da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com o Gama e os trabalhos da comissão que estuda a Medida Provisória sobre os bingos e os clubes de futebol trouxeram à tona, novamente, a polêmica sobre o contrato entre a CBF e a Nike. A comissão já convocou o presidente da CBF
Ricardo Teixeira, no próximo dia 10, para prestar depoimento sobre o contrato. Ao mesmo tempo, parlamentares indignados com a pressão contra o Gama preparam a retomada da CPI da CBF/Nike, que até agora não saiu do papel.
Desde fevereiro do ano passado, o pedido de CPI sobre o contrato está parado na Mesa da Câmara. O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) conseguiu 225 assinaturas, bem mais do que as 176 exigidas pelo regimento, mas as pressões feitas por dirigentes, jogadores e técnicos ligados à CBF, deputados, e até ministros, impediram a instauração da CPI.
Agora, entretanto, Rebelo conta com o apoio de parlamentares da base governista. Hoje, após receber o apoio dos dirigentes do Gama, o deputado conversou com o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Senado. Ficou acertado que os dois pedirão, na próxima semana, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que desarquive a CPI da CBF.
"Se não conseguirmos dessa forma, vamos partir para uma CPI mista (com deputados e senadores), que não precisa passar pela presidência da Câmara", afirmou Rebelo. Segundo ele, a CPI mista precisaria apenas do apoio de 27 dos 81 senadores da Casa para entrar em funcionamento.
"Dessa vez acho que a CPI sai, porque as pessoas estão indignadas e existe apoio até da base governista", avalia Rebelo. "Tenho certeza de que esse contrato é irregular, porque nem na CPI do Collor houve tanta resistência." Amanhã, o deputado conversaria com o presidente interino da comissão que estuda a MP dos bingos, Gilmar Machado (PT-MG). Segundo ele, seria interessante o presidente da CBF mostrar o contrato com a Nike, desde que não escondesse nada. "Há umas cláusulas secretas, que não estão no contrato registrado", denuncia Rebelo. "Só uma CPI teria força para exigir que fossem mostradas." Além de reforçar a luta pela CPI, o Gama continua sua briga contra a CBF nos tribunais.
Hoje, o advogado Paulo Goyaz, em nome do PFL do Distrito Federal, entrou com uma representação junto ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro contra a indicação pela CBF dos desembargadores Paulo César Salomão e Luiz Zveiter para o Tribunal de Justiça Desportiva.
De acordo com o advogado, que também é secretário-geral do PFL-DF, muitas decisões da Justiça Desportiva são questionadas na Justiça comum. "A partir do momento em que dois desembargadores dessa corte integram aquela, ficam impedidos de julgar, o que diminuirá a composição da corte, em detrimento das partes", afirma.


