O desentendimento entre os deputados federais encarregados de apurar as denúncias de tráfico de influência na Conaf (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol) deve chegar hoje ao Ministério Público do Rio. Os deputados Lindberg Farias (PC do B-RJ), Ricardo Gomyde (PC do B-PR) e Carlos Santana (PT-RJ) vão pedir a abertura de inquérito com a sugestão para que sejam quebrados os sigilos bancários dos presidentes da CBF, Ricardo Teixeira, do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia, e do Corinthians, Alberto Dualib, além do ex-presidente da Conaf, Ivens Mendes.
A iniciativa vai de encontro à tese do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), que alega que não é de competência dos deputados o pedido de quebra de sigilo. Anteontem Miranda foi eleito presidente da subcomissão da Câmara destinada a apurar as denúncias. O fato provocou a renúncia às vagas na comissão por parte dos três parlamentares da oposição. ‘‘O Eurico não quer que seja quebrado o sigilo do Ivens, porque sabe que as investigações podem atingi-lo’’, afirmou Lindberg.
Segundo ele, como Miranda é vice-presidente do Vasco, ele pode ter tido contatos suspeitos com Mendes nos anos em que este esteve à frente da Conaf. ‘‘Todo mundo sabe que ele (Miranda) é um câncer no futebol brasileiro e responsável por manipulações no futebol carioca’’, disse. A alegação de Miranda é baseada no argumento de que Mendes seria ‘‘um cachorro morto’’ e, portanto, não mereceria mais ataques.
O deputado Gomyde afirma já ter solicitado ao presidente do TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) de São Paulo, Marco Polo, uma sustentação jurídica para que o Atlético-PR não seja rebaixado para a Série B. Um dos interesses de Eurico Miranda é promover o descenso do clube paranaense para que o Fluminense permaneça na Série A.
Os deputados da oposição dizem que podem reunir até terça-feira as 171 assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que superaria em importância a subcomissão a que renunciaram.

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