Osmani Costa
De Londrina
O fato já se tornou rotina. Tem local e hora certa para acontecer todos os dias, no centro de Londrina. De manhã, o momento de maior emoção é às 9 horas. À tarde, sempre as 16 horas em ponto. É quando o comboio da Seleção Brasileira deixa o Hotel Crystal para levar os jogadores aos treinos no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) e a alguma academia de ginástica.
É neste momento, em que os jogadores saem do hotel e entram no ônibus, que as dezenas de torcedores, fãs e tietes concretizam – por alguns segundos – o prazer de gritar, aplaudir, acenar, jogar beijos e sorrir para seus ídolos. E só. Impedidos pelo intransponível cordão de isolamento formado por policiais militares, não conseguem dos jogadores sequer um aperto de mão, um autógrafo, um ‘oi, tudo bem?’ .
Depois que o comboio verde-amarelo parte, tudo se transforma como num passe de mágica. A multidão, que se formou lentamente em frente ao hotel nas últimas horas, agora se dispersa em poucos minutos. Passada a ilusão, as pessoas comuns voltam para as filas bancárias, padarias, bares, bancos de praças, oficinas e residências. Que a vida continua e o calor é forte nas ruas londrinenses.
Dentro do hotel, a transformação também é radical. Melhor seria dizer: passada a trupe da CBF e seu consequente tumulto, tudo volta ao normal no saguão do Crystal. O número de elegantes porteiros, que até a pouco tempo chegou a cinco ou seis, baixa rápido para um ou dois. Escasseiam também os repórteres e assessores de imprensa do Pré-Olímpico. Os funcionários arrumam com destreza os vasos de cerâmica, as mesas de mármore e os sóbrias sofás cor de vinho tinto.
As hóspedes que, como quem não quer nada, tomavam descontraidamente um drink, recolhem-se aos seus aposentos. O bar e o restaurante, que funcionam anexos ao saguão e têm clientela local fixa, aos poucos vão se esvaziando. Na parede da recepção, os ponteiros dos relógios que marcam a hora em sete países se arrastam lentamente. O movimento diminui, os funcionários encontram um tempinho para respirar e aguar as folhagens. Volta a ser possível ouvir a boa música do som ambiente e apreciar o belo mural de Poty que ilustra a parede principal inteiramente.
Pelos grandes vidros fumês da entrada, nenhum torcedor a olhar curiosamente para dentro do hotel em busca de algum jogador da Seleção. Os poucos hóspedes folheiam jornais. Os raros jornalistas discutem as próximas reportagens. Funcionários limpam cuidadosamente o piso e seus tapetes persas. Os dois elevadores já não sobem e descem com tanta isistência.
Na frente do hotel, dois ou três policiais são o que restaram dos mais de 20 de minutos atrás. Dentro do Crystal, o ambiente é de calmaria pura. As luzes da árvore de Natal são desligadas; os holofotes das equipes de TV já iluminam outro local. Mas é por pouco tempo. Já, já, o Luxemburgo e seus pupilos estarão de volta. E será assim, todos os dias, até o final do Pré-Olímpico.