São Paulo - O nome pode gerar confusão, os estilos e alguns rostos são velhos conhecidos. Mas a Indy que corre em São Paulo não é a mesma que já esteve cinco vezes no Brasil, de 1996 a 2000. Embora alguns pilotos que correrão hoje no circuito do Anhembi, a partir das 13 horas, tenham corrido no Rio, eles estavam em meio a uma cisão que feriu o automobilismo de fórmulas dos EUA.
Naquela segunda metade dos 90, enquanto uma categoria ostentava patrocinadores fortes e corria em Jacarepaguá, uma dissidência só fazia provas em ovais e suscitava dúvidas com um grid composto por maioria de norte-americanos. Mas foi esta segunda turma que venceu o duelo. E que corre hoje no circuito de São Paulo, construído a ''toque de caixa'' para receber a categoria. Esta será a primeira vez que acontece uma prova de rua da F-Indy na América Latina.
Apesar de alguns problemas - como as ondulações no asfalto -, o circuito foi aprovado na sexta-feira pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Os torcedores que acompanharem a prova no local poderão ver os pilotos alcançarem os 320 km/h na reta da Marginal - a maior da categoria, com 1,5 mil metros -, além de ficar na expectativa de que um brasileiro cruze a linha de chegada na frente.
No total, serão sete brazucas na disputa: Helio Castroneves, apontado como aquele com maiores chances de vitória, Tony Kanaan, Raphael Matos, Bia Figueiredo, Mário Moraes, Mario Romancini e Vitor Meira.
''Vai ser uma emoção para todos os brasileiros, por se aqui, e por ser a abertura do campeonato'', frisou Castroneves. ''É diferente correr em casa. A última vez havia sido em 2000 no Rio de Janeiro, pela CART'', disse Tony Kanaan, da Andretti Autosport. ''Senti a pressão de estar no Brasil já na hora que desembarquei aqui. Havia mais pessoas pedindo para tirar foto, todos perguntando bastante. A Indy está voltando a ser o que era antes, na época do Gil (De Ferran), do André Ribeiro (hoje agente de Bia Figueiredo), e você começa a sentir aquele frio na barriga, o que eu gosto'', disse Tony.
Se ainda é um fator presente na vida de um piloto experiente, o frio na barriga tem sido ainda mais intenso para Mario Romancini, que estreará pela Conquest. ''É o sonho de criança que se realiza, e eu não poderia estar mais emocionado e honrado em estrear no meu país, na cidade onde nasci e comecei a correr de kart'', afirmou.
Também estreante e carregando a responsabilidade de ser a primeira brasileira em uma categoria top do automobilismo internacional, Bia Figueiredo diz controlar a ansiedade. ''Estou tranquila. Acho que esta é uma nova experiência, um passo à frente nestes 17 anos de carreira. O foco é maximizar esta experiência que vou ter durante a prova, evitar acidentes e terminar com tranquilidade para chegar em uma boa posição na corrida''.

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