Há poucos dias, o atacante chileno Ivan Zamorano sonhou que enfrentaria o Brasil na Copa do Mundo da França e venceria por 1 a 0. ‘‘A primeira parte deste sonho já virou realidade’’, disse ontem o jogador, sorrindo. ‘‘Agora, só falta a segunda.’’ Zamorano, além de craque, é um ótimo marketeiro. Se depender dele, o confronto entre chilenos e brasileiros, sábado, em Paris, pelas oitavas-de-final, já tem todo um clima de rivalidade e provocação criado. Mas tudo com muito bom humor.
‘‘Que venham os brasileiros’’, repetia Zamorano nas conversas com os jornalistas, após o empate por um gol contra Camarões, em Nantes. ‘‘Não tenho medo deles.’’ Entre frases de impacto e muitos sorrisos, o simpático Zamorano contou que espera um grande encontro entre as seleções sul-americanas. Perguntado qual a melhor dupla de ataque - Zamorano e Salas ou Ronaldinho e Bebeto -, obviamente não hesitou para responder. Nem foi diplomático. ‘‘Zamorano e Salas.’’
O encontro das duas duplas será um atrativo a mais para o jogo. Zamorano, muito bem vigiado pelos camaroneses no jogo de ontem, não se importa com o que preparam os defensores brasileiros. ‘‘Faço meu trabalho e não me preocupo com meus marcadores’’, afirma. Para Zamorano, a defesa brasileira é bastante forte. ‘‘Mas não é invencível.’’
Marcelo Salas, de 23 anos, o goleador do time, ganhou uma popularidade mundial muito grande nos últimos tempos, mas está longe de ser o marketeiro Zamorano. Fala pouco e costuma fugir dos jornalistas. ‘‘Estamos confiantes para este jogo contra o Brasil e vamos trabalhar duro estes próximos dias’’, comentou. Salas, no entanto, não faz provocações, brincadeiras e dificilmente esboça um sorriso.
Zamorano, que teve uma passagem memorável pelo Real Madrid, onde foi ídolo, defende atualmente a Internazionale, de Milão. O capitão da Seleção Chilena, que se orgulha de ter Salas a seu lado no time nacional, é também companheiro de Ronaldinho na Itália. Não poderia viver melhor acompanhado em campo. ‘‘Sou um abençoado por Deus’’, afirma.

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