Depoimento de Luxemburgo diverge da Nike
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quinta-feira, 05 de abril de 2001
Agência Estado De Brasília 
O ex-técnico da seleção brasileira e atual treinador do Corinthians, Wanderley Luxemburgo, fez ontem afirmações na CPI da CBF/Nike que se chocam com o que foi dito no dia anterior pelos representantes da Nike. Luxemburgo disse que nunca recebeu pressão para escalar jogadores, mas informou que um representante da empresa participava das reuniões em que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) definia a data de jogos, que em 90% das vezes esse funcionário se hospedava nos mesmo hotel da seleção brasileira e que ele acompanhava o treinamento dos atletas.
O técnico disse que, no período da seleção, mantinha num contrato com a Nike que lhe rendeu US$ 60 mil ao ano ou US$ 120 mil nas duas temporadas em que esteve valendo. Esse contrato teria se rompido automaticamente com a sua saída do cargo.
O interesse em firmar esse contrato foi recíproco, dele e da empresa, esclareceu.
Quanto às denúncias, Luxemburgo mostrou que foi bem preparado pelos advogados para responder sobre elas, mas seus argumentos são facilmente desmontáveis. Ele disse, por exemplo, que a diferença de R$ 10 milhões entre o que movimentou e o declarou ao imposto de renda se deve ao fato de um mesmo valor ter sido contabilizado mais de uma vez.
A CPI do Senado comprovou, quando de seu depoimento, que esse argumento não tem fundamentação. Na outra vez, ele não soube dizer se sua mulher tinha ou não conta no exterior. Agora, sim, ele confirmou que dona Josefa mantém um depósito de US$ 153 mil numa conta em Miami, mas se negou a explicar origem desse dinheiro, alegando problemas de família.
Luxemburgo se colocou como uma vítima de Renata, dizendo que ela o lesou nos negócios de leilão, antes de tentar extorqui-lo em R$ 1,5 milhão. Ele disse que está movendo 14 processos contra a moça. É um pouco constrangedor para mim, que tem uma família que se espelha nos pais, ficar falando na Renata, que quase me causa problema num casamento de 28 anos, afirmou.


