Curitiba - As supostas irregularidades na Apaf, que serviriam para beneficiar Onaireves Moura, são totalmente infundadas, de acordo com o comandante da entidade máxima do futebol paranaense. E as declarações de Nardelli fortalecem ainda mais a briga polarizada por Moura e o presidente do Sindicato dos Árbitros do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz. ''Não conheço esse tal de Nardelli e não tenho nenhuma ingerência sobre a Apaf. Esse senhor Nardelli faz parte do sindicato presidido pelo senhor Amoreti'', associa Moura, ao sugerir que Nardelli estaria ''a mando'' de Amoreti com o objetivo de desestabilizar a FPF.
Moura negou participar do suposto esquema revelado por Nardelli. ''Isso é um absurdo, se ele disse isso, será processado.''
Em seguida, o dirigente negou ter coagido árbitros a dar parecer favorável sobre as contas da Apaf e admitiu ter conversado sobre o sindicato. ''Apenas conversei com os árbitros e fiz eles verem que não somos contra o sindicato. Mas o senhor Amoreti tem uma 'ficha corrida' (histórico) muito ruim. Por que eles não se filiam? Porque eles conhecem o Amoreti'', dispara Moura.
O presidente da FPF também diz desconhecer boa parte das ações na Apaf e adiantou que ''a federação não tem interesse algum em quem está na associação''.
Apaf - Lehmkuhl, que permaneceu no comando da associação de 84 até o ano passado, admitiu que a prestação de contas era irregular mas negou as acusações de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. ''Até 2000 essas coisas eram meio relaxadas na associação, os documentos estavam todos espalhados em caixas. Convidei o Nardelli para fazer essas contas, ele fez um contrato de prestação de serviços. Perguntei a ele sobre essa possibilidade de fazer a contabilidade e ele me disse 'isso é coisa fácil de fazer'. Achei que ele fosse fazer de cortesia porque era o tesoureiro, mas ele pediu R$ 4 mil para fazer a contabilidade'', lembra Lehmkuhl.
No entanto, diferente do que Nardelli diz, Lehmkuhl afirma ter sido usado. ''Em momento algum ele disse que os documentos para a contabilidade eram insuficientes. Daí ele começou a usar os documentos para vazar informação. Ele foi pago rigorosamente em dia para fazer a contabilidade e, de 2000 a 2002, recebeu R$ 7,8 mil. Depois que ele descontou esses cheques é que estava irregular?'', questionou. ''Se estava tudo errado, por que ele descontou os cheques? Maracutaia é o que ele fez com o dinheiro da associação. Ele está fazendo isso agora porque o sindicato dele está morto!''.
Sobre a prestação de contas polêmica, Lehmkuhl afirma que uma disputa política entre os árbitros, dentro da própria Apaf, teria resultado na divergência de um parecer para o outro, sobre o mesmo relatório. ''Primeiro eles tiveram números, que foram reprovados. Mas depois que foi explicado, eles aprovaram. As assembléias eram muito tumultuadas. Eles (Conselho Fiscal) tiveram dificuldade para resolver por causa de briga política. Tem que ter atitude nessas horas e eles ficaram receosos.'' (C.Y.)

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