Denúncias prejudicam Portuguesa, admite dirigente
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 12 (AE) - As denúncias de dois supostos subornos envolvendo dirigentes da Portuguesa no Campeonato Paulista de 1998 e na Copa do Brasil, também do ano passado, têm prejudicado o desempenho do time nesta temporada. A conclusão é do próprio vice-presidente de futebol do clube, Ilídio Lico. Abalado, o dirigente admitiu hoje que deixou escapar bons negócios para o clube por estar preocupado em defender-se das acusações. "Perdi algumas boas oportunidades de reforçar a equipe por causa desses problemas, afirmou Lico.
Ele e os demais diretores têm procurado manter-se a distância dos jogadores, para que eles não sejam atingidos por estilhaços do escândalo. "Quase todos os jogadores são meus amigos e me apóiam, mas temos preferido ficar longe para não passar um astral negativo ao grupo.
Lico e os demais membros da diretoria chegaram a renunciar quando surgiram as primeiras denúncias, mas foram reconduzidos ao cargo após uma sessão do Conselho Deliberativo.
Copa do Brasil - A denúncia mais recente envolvendo a Lusa trata da vitória de 5 a 0 do time sobre o Remo, em fevereiro do ano passado, pela Copa do Brasil. Uma fita divulgada por Camões Salazar, ex-dirigente do clube, contém uma conversa dele com Manuel Barril, da atual diretoria, e diz que o clube paulista teria oferecido R$ 12 mil ao paraense pela classificação.
Na terça-feira, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, pediu ao Tribunal de Justiça Desportiva de entidade que abrisse um inquérito e apurasse o caso. Ilídio Lico lamenta essa nova suspeita. "Quem soltou essa fita foi uma pessoa que se apropriou de dinheiro da Portuguesa e, tentando nos desestabilizar, está prejudicando e denegrindo o nome do clube: não deveriam dar crédito a esse tipo de gente, afirmou. O vice-presidente de futebol nega que tenha participação no caso. "Eu jamais faria isso; e ninguém que esteja sob o meu comando, garantiu.
Paulista - O Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol (FPF) demonstra lentidão na apuração da outra denúncia de suborno por parte da Portuguesa. Ela se refere ao empate de 4 a 4 com a Portuguesa Santista no Paulista do ano passado, que classificou o time para a fase seguinte. Esse processo envolve Camões Salazar, o dirigente criticado agora por Lico, e o goleiro Nasser, que, na época, defendia a Santista.
O presidente da FPF, Eduardo José Farah, disse que só vai agir se o suposto suborno for comprovado. Segundo ele, até agora, trata-se apenas de um problema interno da Portuguesa, de desvio de dinheiro por parte de um dirigente.
Paralelamente, esses dois casos estão sendo investigados pelo Ministério Público. O promotor Pedro Manuel Ramos anunciou que o inquérito envolvendo o goleiro Nasser deve estar concluído em dez dias. A partir daí, ele deve oferecer a denúncia contra os envolvidos.
Quanto ao outro caso, o jogo entre Lusa e Remo, o promotor pediu a apreensão da fita, mas acha que isso ainda é insuficiente para que se estabeleça um processo penal.


