Denival se despede do apito e cartões
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
O Corinthians se despediu do Brasileirão com uma vitória sobre o Criciúma por 2 a 1 no Itaquerão, no último dia 6. Quando Antonio Denival de Morais, um dos árbitros adicionais naquela partida, entrou no gramado, recebeu o apito das mãos do árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva e apitou o final do jogo, não era apenas o duelo que chegava ao fim. Ele apitou também o final de uma carreira de 22 anos dedicada à arbitragem.
"Foi uma surpresa. Todos sabiam que era a minha última partida e me fizeram essa surpresa muito agradável. Fiquei bastante emocionado. É uma vida que chega ao fim, um ciclo que se fecha", resumiu o agora ex-árbitro, que apitou sua última partida na penúltima rodada do Brasileirão, no duelo entre São Paulo e Figueirense, no Morumbi. "Passou um filme na cabeça com tudo o que vivi desde o início", completou.
Árbitro do quadro da CBF, Denival é sargento da Polícia Militar. Sempre discreto em suas atuações, nunca envolveu-se em polêmicas ao longo da carreira. De pulso firme, teve na profissão que exerce no dia a dia um aliado para manter-se forte diante da pressão dos jogadores e treinadores. "A arbitragem não é profissional e para mim, que consegui levar a carreira por quase 23 anos, acho que fui longe demais. Tenho bem mais alegrias do que frustrações", apontou.
Ele começou a apitar nos campeonatos amadores da região e brinca que esses torneios são "a pré-escola" dos árbitros. Sem estrutura de segurança, ele fica muito mais expostos nestes jogos. "É ali que o árbitro forma sua personalidade e vê se tem mesmo aptidão", avaliou.
Denival apitou as finais do Paranaense de 2010 e 2011 e muitos outros Atletibas, jogos que, segundo ele, marcam demais. Mas não quis escolher uma ou outra partida especial que tenha marcado na carreira. "Todas elas marcaram. Se não fosse o começo, não teria chegado ao final da carreira da forma como cheguei", disse.
CADÊ O CARTÃO?
Em duas décadas de arbitragem, obviamente, Denival passou apuros. Caiu algumas vezes e até esqueceu os cartões no vestiário. "Fui apitar uma partida da Taça Cidade de Londrina em Cornélio Procópio. Acabou o primeiro tempo, fomos para o vestiário, tirei os cartões do bolso, dei aquela relaxada. Voltamos para o jogo, até que um cara deu uma entrada mais forte e fui puni-lo. Bati a mão no bolso e cadê o cartão? Havia ficado no vestiário. Mas meu auxiliar me socorreu, me emprestou o dele e deu tudo certo", contou.
Se você pensa que vai começar a vê-lo pelos gramados dos clubes de Londrina apitando torneios amadores está enganado. Denival não quer saber mais de apito dentro de campo. Recém-eleito vice-presidente da Associação Paranaense de Árbitros de Futebol (Apaf), ele vai ajudar na formação de novos árbitros e treinamentos dos atuais. "Meu limite foi atingido", finalizou.
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