Brasília, 07 (AE) - O meia Denílson passou por momentos delicados logo após a sua transferência para o Betis, da Espanha
em julho do ano passado. A cobrança por ter sido o pivô da maior transação do futebol mundial - seu passe foi vendido pelo São Paulo por US$ 26 milhões - não lhe fez bem e Denílson teve de manter o equilíbrio para superar a forte pressão "da torcida e da imprensa local". Ele contou que a expectativa dos espanhóis era a de ver em ação um novo Romário. "Achavam que eu tinha o mesmo estilo matador dele, que eu era goleador."
Denílson defendeu-se das críticas iniciais, lembrando aos espanhóis que fazer gols nunca fora o seu forte. Sua principal característica é tentar as jogadas de linha de fundo para cruzar e deixar os atacantes em condições de finalizar. Na fase ruim, o jogador contou com o apoio de parentes, que seguiram com ele para a luxuosa casa adquirida num condomínio próximo ao estádio do Betis.
A situação de Denílson melhorou um pouco em outubro, quando conheceu Ana, a atual namorada, uma universitária de 18 anos. "Ela não sabe nada de futebol e já me perguntou o que faz o cara vestido de preto que corre com um apito em campo." Após os jogos, Denílson costuma reunir-se com vizinhos na praça do condomínio. Conversam sobre vários temas, menos futebol. "Isso é bom por que me dá um descanso." O meia está aprendendo a língua espanhola e também não tem dificuldades com a alimentação. Perto de sua casa, há um supermercado com vários produtos brasileiros.
Ele justificou a demora em se adaptar ao futebol espanhol com uma explicação razoável: "Eu estava retendo muito a bola e, aqui, se você não pensa com agilidade, é atropelado pelos adversários." Para Denílson, seu estilo de jogo mudou por causa dessa necessidade de rapidez exigida pelos espanhóis. "Antes, em cada dez jogadas, eu só conseguia concretizar quatro ou cinco." O meia marcou apenas um gol na temporada - há quatro semanas, no empate de 1 a 1 do Betis com o Racing de Santander. "Foi emocionante ouvir a torcida gritar o meu nome do início ao fim da partida." Seu time está numa posição intermediária do Campeonato Espanhol e vai tentar terminar a competição entre os primeiros para se classificar à Copa da Uefa.
Na seleção brasileira sub-23, Denílson funciona como líder - é o único que disputou uma copa do mundo. Ele tem autonomia para chamar a atenção dos outros jogadores, orientá-los e adverti-los quando for preciso. "É mais ou menos o papel do grande Dunga nas Copas de 1994 e 1998, mas não sei se vou ter a mesma competência dele."

mockup