Curitiba, 5 (AE) - O atacante e capitão da seleção brasileira sub-23, que se prepara em Londrina, no norte do Paraná, para o Torneio Pré-Olímpico, Denílson, foi cortado do grupo hoje à tarde. O anúncio foi feito pelo treinador Wanderley Luxemburgo logo após os treinamentos. Um novo jogador deve ser chamado amanhã para substituí-lo. Também amanhã pode ser definida a situação do atacante Roni, que está contundido. "Temos que decidir com rapidez", disse Luxemburgo.
Segundo ele, a interpretação que a Fifa deu ao Estatuto do Atleta é que, por o Pré-Olímpico não ser o final de uma competição, mas apenas uma fase classificatória, o jogador não precisaria ser liberado pelo seu clube com 14 dias de antecedência, mas faltando apenas cinco dias para a competição. "Nossa filosofia foi de nos prepararmos nos 14 dias que antecedem a competição", disse o treinador. "Quem não pudesse ficar durante todo o período não participaria." Luxemburgo disse que o Bétis "radicalizou", ao considerar que participar do Pré-Olímpico é "desmerecimento para o atleta". "Nós entendemos que participar do projeto todo é importante", afirmou o treinador. Ele disse que Denílson demonstrou sempre interesse em ficar na seleção. "Mas o clube tem o contrato de imagem e está reivindicando sua presença." Somente amanhã Luxemburgo deve anunciar o substituto. Hoje especulava-se o nome do atacante do Atlético Paranaense, Lucas. Sua cotação aumentou, na medida em que o atacante do Fluminense, Roni, que está em Londrina, ainda recupera-se de uma contusão. O técnico pretende ter amanhã uma definição sobre a situação do atacante e o prazo para recuperar-se.
Luxemburgo disse que o caso de Denílson vai obrigar os clubes e os procuradores a terem mais atenção na elaboração de contratos. Ele citou o exemplo do contrato do atacante Warley com a Udinese, da Itália, em que consta que ele deve ser liberado todas as vezes em que for convocado para a seleção. "A seleção tem que ser privilegiada, mas o jogador não pode ser penalizado por servi-la", afirmou. Segundo ele, nos próximos anos toda a estrutura do futebol "precisa ser revista".