São Paulo - A Fórmula 1 iniciou ontem a montagem dos boxes em Interlagos preocupada com a dengue. Nas pastas e mochilas de mecânicos, técnicos e pilotos, um item tornou-se obrigatório: o repelente. O conselho partiu da própria organização do GP Brasil. Promotor da corrida, Tamas Rohonyi enviou um fax para todas as equipes, na semana passada, alertando para os perigos de infecção.
Há duas semanas, a Secretaria Municipal da Saúde anunciou o avanço da doença para a região sul de São Paulo, onde ficam o circuito e os hotéis das equipes. Ao todo, segundo o mais recente levantamento divulgado pela secretaria, 23 pessoas já contraíram dengue na cidade. Foram registradas, ainda, outras 905 ocorrências importadas da doença.
No caso do autódromo, há alguns agravantes. Como os cerca de 100 mil pneus utilizados nas barreiras de proteção, potenciais criadouros do mosquito. E como os charcos ‘‘eternos’’ que existem por toda a área de Interlagos.
A questão dos pneus já rendeu ao autódromo uma advertência da Secretaria da Saúde, no início do mês. Na ocasião, Nádia Campeão, secretária de Esportes, prometeu que todos os pneus estariam cobertos até a última quarta-feira, dia 20. Isso não aconteceu.
Ontem, em vários pontos do circuito, ainda havia barreiras de proteção descobertas. Além disso, muitos pneus velhos estavam jogados por todo o terreno.
‘‘Quase todos os pneus já estão cobertos, mas ainda há serviço a ser feito’’, admitiu Júlio Portela, administrador do autódromo. ‘‘Nos próximos dias, vamos tirar todos os pneus que sobraram.’’
Agências de turismo na Europa também estão atentas à questão.
O site www.gpticketshop.com, que vende pacotes turísticos para todas as etapas do Mundial, exagera no capítulo ‘‘riscos para a saúde’’ no GP Brasil, enumerando doença de chagas, dengue, malária, meningite e febre amarela.
Em 2001, o receio era a febre aftosa. Autoridades sanitárias da Inglaterra temiam que a terra acumulada nos pneus e nos carros pudesse levar a doença a regiões onde ela já estaria controlada.

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