Demitida, Georgette teme pelo futuro da ginástica olímpica
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Demitida do Flamengo após 20 anos no clube, a técnica de ginástica olímpica Georgette Vidor teme pelo futuro de jovens atletas que sonham em seguir o exemplo de Luísa Parente e Daniele Hypólito, duas referências nacionais de ginástica criadas na sede da Gávea. Em entrevista concedida ontem, dia de seu aniversário, Georgette não escondeu a mágoa pela forma como foi afastada do Flamengo.
''Há um clima de desorientação total de várias meninas do Flamengo com um potencial incrível para despontar como futuras medalhistas. Não sei o que pode ocorrer daqui para a frente'', disse Georgette. Ela dava ênfase ao trabalho com 12 atletas com boas chances de subir ao pódio no Pan-Americano de 2007 e nas Olimpíadas de 2008 e 2012. Agora, com a crise na ginástica olímpica do Rubro-Negro, algumas meninas ameaçam até abandonar o esporte. ''Eu temo pelo futuro da ginástica olímpica no Brasil. Faltam respeito, estrutura e vontade política.''
Georgette disse que sua relação pouco amistosa com o presidente do Flamengo, Márcio Braga, teve peso direto em sua demissão. ''Não o apoiei em nenhuma das últimas três eleições em que foi candidato. Isso criou dificuldades.''
Ao todo, ela supervisionava 48 atletas nos ginásios da Gávea, 12 das quais consideradas de 'elite', como Bárbara, Thamires, Jade e Thais, quatro campeãs brasileiras de 2003 e promessas para as próximas competições internacionais. ''A Jade, por exemplo, ganhou seis medalhas de ouro no Pan-Americano de Clubes de 2003. Elas são atletas de ponta. Como vão ficar agora?''
Georgette não quis dar muitos detalhes de sua recente ruptura com Daniele, com quem trabalhou por nove anos. Contou apenas que a atleta se rebelou num treino na Gávea, o que gerou uma discussão ríspida em abril. ''Eu pedi que a Daniele fizesse uma série de paralelos sobre um monte maior de colchões. Ela se negou a fazer. Então eu disse que ela podia sair do ginásio. Não quis me obedecer.'' A partir do episódio, não reataram relações.
''Depois, eu soube que a mãe e a empresária da atleta tentaram levar meu auxiliar, Roger, para acompanhá-la em Curitiba. Fui contrária e isso aumentou o meu desgaste com a Daniele e com a diretoria do clube.''


