Madri - A demissão do treinador brasileiro do Real Madrid, Vanderlei Luxemburgo, ilustra a ''incoerência'' e a confusão que reinam no clube madrileno há dois anos, destacou a imprensa espanhola ontem.
O substituto provisório de Luxemburgo, Juan Ramón López Caro, poderá ficar até o fim da temporada à espera de um sucessor definitivo. O candidato favorito é o italiano Fabio Capello, atualmente na Juventus de Turim, segundo alguns jornais esportivos da capital.
A saída de Luxemburgo, antes de completar um ano no clube, é o ''preço da incoerência'' do Real Madrid, um clube transformado em ''uma máquina de triturar treinadores'' (cinco em dois anos e meio) e cujo ''fracasso esportivo é clamoroso'', critica o jornal El País.
''A torcida quer títulos, estabilidade e bom jogo. O Madrid não oferece nada disso há dois anos'', acrescenta o jornal, que ressaltou a ''enorme desordem'' que reina em um clube que ''perdeu sua identidade''.
Para o jornal esportivo Marca, ''os jogadores andavam pelo gramado sem rumo e a evidência era que 'Luxe' estava perdido do ponto de vista tático. Mantê-lo teria sido uma temeridade''.
''O objetivo agora é que López Caro possa aguentar até o final da temporada, sem renunciar a algum título, claro, e ao mesmo tempo em que o clube negocia com Fabio Capello, ou algum similar, para o novo projeto'', opina o Marca.
López Caro, treinador do Real Madrid B, é um ''homem de caráter'' amante antes de mais nada do ''profissionalismo'', afirmam os jornais.
O outro jornal esportivo madrileno, As, considerou por sua parte que a escolha deve ficar entre Capello, o treinador português do Chelsea, José Mourinho, ou o francês Arsène Wenger (Arsenal). No entanto, este último se disse ''apegado ao cargo'' em Highbury Park pelo menos até o fim do contrato que vai até 2008.
Felipão O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madail, demonstrou irritação com as declarações do técnico da seleção portuguesa, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, de que estaria sendo discriminado em Portugal.
O dirigente afirmou que o brasileiro pode deixar o país no momento em que desejar. ''Ele sempre foi muito bem tratado aqui e não faço idéia do porque de ele ter dito isso'', afirmou. ''Não sei se ele quer ir embora ou se não quer. As portas estão abertas para ele ir se quiser, não há problemas'', continuou o dirigente.
Scolari havia afirmado ao jornal português ''O Jogo'' que se sentia um estranho em Portugal e que mesmo com as proximidades do país com o Brasil ele ainda não era bem tratado por parte da imprensa portuguesa.

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