Zurique - 24 anos de Copas do Mundo estão sob suspeita de corrupção, inclusive nos anos de João Havelange. Dados revelados pela Justiça norte-americana e pelo Ministério Público da Suíça apontam que dirigentes da Fifa teriam recebido propina para as escolhas das sedes dos Mundiais. O primeiro deles teria sido o de 1998, que ocorreu na França. O FBI, porém, investiga suspeitas que vão até 2022.
As informações foram publicadas um dia depois de o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pedir demissão. A reportagem apurou que ele optou por sair depois de ter sido informado que também seria investigado pelo FBI.
As novas revelações, porém, mostram que o evento mais importante da agenda esportiva internacional e um dos marcos no mundo está sob suspeita. A compra de votos ocorreria pelo menos desde 1998 e isso era facilitado pelo fato de que apenas 25 membros do Comitê Executivo da Fifa votam pela sede. Para evitar isso no futuro, a Fifa dará o voto para as 209 federações nacionais a partir de 2026.
Quem fez a denúncia foi Chuck Blazer, o ex-cartola norte-americano e homem que delatou a Fifa para a Justiça dos Estados Unidos. Ele confessou diante de uma corte que cartolas da entidade receberam propinas para escolher a sede da Copa do Mundo de 1998.
Segundo ele, os pagamentos ocorreram em 1992, quando a Fifa ainda era presidida por João Havelange. Já o Mundial na França foi organizado por Michel Platini, cotado para ser um dos candidatos ao cargo de Joseph Blatter. "Entre outras coisas, eu concordei com outras pessoas em 1992 para facilitar a aceitação de propina em relação à seleção da sede da Copa de 1998", disse Blazer, sem citar o nome da França. De acordo com o relatório da Corte dos Estados Unidos, Blazer recebeu propina de Marrocos, então rival da França no processo de escolha da sede da Copa de 1998.
O documento também aponta que o mesmo mecanismo foi usado para a sede da Copa do Mundo de 2010, que acabaria ocorrendo na África do Sul. Em um relatório publicado ontem pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e que traz a confissão de Blazer, o cartola deixa claro que não foi o único a receber dinheiro ilícito.
"Começando por volta de 2004 e continuando até 2011, eu (Chuck) e outros do Comitê Executivo da Fifa concordamos em aceitar propinas em relação à escolha da África do Sul como país-sede da Copa de 2010", declarou o norte-americano, também diante da corte dos Estados Unidos, no dia 25 de novembro de 2013.
Há uma semana, documentos do FBI indicaram também que os sul-africanos haviam pago US$ 10 milhões (R$ 31 milhões) ao então vice-presidente da Fifa, Jack Warner, em troca de votos. Ontem, os sul-africanos negaram que se trate de suborno, mas um programa social para o país.

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