Rio - A CBF já definiu a estratégia para tentar desvincular seu nome do escândalo de corrupção que levou cartolas do futebol mundial à prisão nesta semana, entre eles seu ex-presidente José Maria Marin. Ao melhor estilo amigos, amigos, negócios à parte, a entidade decidiu empurrar o problema exclusivamente a Marin. A ideia é evitar que a já desgastada imagem da CBF perante a opinião pública fique ainda mais arranhada e blindar o atual presidente, Marco Polo Del Nero. Ontem, o dirigente afirmou "não ter nada a ver com isso" e foi categórico ao dizer que não renunciará.
Del Nero chegou à sede da CBF, no Rio, por volta das 10 horas, cerca de cinco horas após desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, vindo de Zurique. Ele se reuniu com diretores da entidade e concedeu uma entrevista coletiva ao meio-dia. Calmo como de costume, respondeu a todos os questionamentos.
Antes, porém, explicou a sua saída repentina da Suíça, ocorrida um dia antes da eleição para a presidência da Fifa, a qual a iria acompanhar. "É para transmitir de forma correta as explicações necessárias".
O dirigente negou com veemência a possibilidade de deixar o cargo, que assumiu oficialmente em 16 de abril. "É impossível renunciar. Não vou renunciar porque não tenho nada a ver com isso", declarou, em referência ao suposto pagamento de propinas que levou seu antecessor à prisão. "Não tenho nenhuma participação. Nenhum contrato eu assinei na administração do presidente Marin".
Del Nero insistiu que, antes de assumir a presidência, tinha função secundária na gestão da CBF. "A função do vice-presidente é colaborar com o presidente naquilo que ele solicita. Tudo que fosse solicitado eu fazia. Essa é a função do vice-presidente. Ele não manda, ele cumpre determinação".
Indagado se pode ser ele o "co-conspirador 12", citação utilizada no relatório da investigação norte-americana que levou Marin à prisão, Del Nero foi enfático. "Eu não sou porque eu não recebi nada. Nem receberia". Ele também negou que a corrupção seja sistêmica no futebol, como também foi citado no documento. "Eu não acredito (em cultura da corrupção). Vivi 11 anos na Federação Paulista de Futebol, trabalhando sem qualquer mácula, e minha gestão (na CBF) começou em 16 de abril também sem qualquer mácula".
O cartola se disse "triste" com a prisão de Marin e se solidarizou com o "amigo", mas depois declarou que precisa pensar na entidade. "Tenho de tomar as providências necessárias. Não tem como deixar de fazer alguma coisa apenas por ser amigo", afirmou. "Estou perplexo, mas temos que exercer a função".
Marco Polo Del Nero também justificou a retirada do nome de José Maria Marin da fachada da sede da CBF. "Face uma determinação da Fifa do banimento temporário dele por 90 dias, a diretoria resolveu tirar o nome".

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