São Paulo - Uma jogada combinada entre Deivid e Gil, ali, no meio-do-campo, pouco antes de Carlos Eugênio Simon autorizar o início do segundo tempo entre Corinthians e Brasiliense, valeu mais do que qualquer estratégia armada pelos treinadores Carlos Alberto Parreira e Péricles Chamusca sobre a melhor forma de se abrir ou fechar uma defesa.
Os dois atacantes do time paulista haviam sido bem marcados no primeiro tempo e eles temiam que a retranca seria mais dura no segundo. ‘‘Aí, eu falei para o Gil: você vai até a linha de fundo com a bola; eu fecho no primeiro pau, mas você cruza no segundo; eu volto em um segundo e faço o gol. Meu marcador vai ficar no meio do caminho. Assim, fizemos e deu certo’’, conta Deivid sobre o lance que deu origem ao primeiro gol do Corinthians na vitória sobre o Brasiliense.
Com os dois gols marcados quarta-feira, Deivid entrou para a história da Copa do Brasil como o maior artilheiro da competição. Em 10 jogos, marcou 12 gols, superando Washington, que marcou 11 pela Ponte Preta. ‘‘Meu objetivo já alcancei, agora posso até ampliar essa marca na partida em Brasília, mas agora quero mesmo é ganhar o Rio-São Paulo, domingo contra o São Paulo, e depois a Copa do Brasil. Já cansei de ser vice. Quero ser campeão pela primeira vez na vida, e ganhando dois campeonatos seguidos’’, disse o atacante, que, de tão emocionado com a vitória e os gols foi dormir mais de três hora da madrugada de ontem. ‘‘Não conseguia pegar no sono. O jogo não saía da minha cabeça.’’
Devoto de Santo Expedito e de Nossa Senhora Aparecida, Deivid admitiu que sua vida começou mesmo a mudar no dia em que saiu do Jaraguá (SC) – depois do início no Nova Iguaçu – para fazer testes na peneira do Santos, em 1997. Pelé, auxiliado pelo ex-zagueiro argentino Ramos Delgado, era quem dava a palavra final. ‘‘Depois de um treino, Pelé chegou para mim e disse: garoto, você é bom. Foi aprovado, vai ficar’’, conta Deivid, que até hoje não se esquece dessa conversa.

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