Degola humilha atletas do LEC
De uma só tacada, a diretoria do Londrina dispensou ontem cinco jogadores: o volante Amarildo, o lateral-esquerdo Agnaldo, o meia Nelsinho e os atacantes Alex e Dão. O técnico Paulo Comelli já havia sido demitido anteontem. Val de Mello, 43 anos, que comandava os juniores, ocupa interinamente o cargo de treinador e dirige o time na rodada de domingo da Série A-2 do Campeonato Paranaense, contra o Assahi, em Assaí.
Na reapresentação de ontem cedo, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), as cinco vítimas da degola nem puderam pegar o material de treinamento. Depois de ouvir o frio recado que o roupeiro Osni repassou do vice-presidente de futebol do clube, Célio Guergoletto - Todos deveriam passar na secretaria para acertar as contas - o grupo, humilhado, formou uma espécie de corredor da morte e se dirigiu até a sala do supervisor Lico para receber o salário de março e o saldo de abril.
A expressão do rosto de Nelsinho, antigo xodó da torcida do Londrina, estava transfigurada. Era como se o meia-atacante não acreditasse naquilo que ouviu de Osni. Mesmo assim, o baixinho, indisfarçavelmente magoado, tentava passar naturalidade durante as entrevistas. Paciência. É da vida. Isso é do futebol... Só não sei como é que eu vou contar lá em casa.
O atacante Alex também se mostrava perplexo. Do lado de fora da sala de Guergoletto, o jogador queria pedir uma nova chance ao dirigente. Não conseguiu nem conversar. Guergoletto disse que não poderia atendê-lo. Me dispensam logo agora que eu começava a deslanchar, reclamou Alex, que pertence ao Palmeiras, a exemplo do quarto-zagueiro Freitas.
Indiferente ao drama dos degolados, Guergoletto - que ainda advertiu e exigiu mais empenho de dois titulares, cujos nomes ele não quis revelar - mantinha, naquele instante, diversos contatos na tentativa de trazer alguns reforços.
A recontratação de Luiz Carlos (defendeu o Londrina na campanha da Série B do Campeonato Brasileiro) estava praticamente assegurada. O clube chegou a emitir a passagem aérea para que o atacante do São Paulo viajasse depressa e pudesse enfrentar o Assahi. No entanto, o procurador de Luiz Carlos, que teria uma proposta melhor, entrou no meio para romper as negociações.
Imediatamente, Guergoletto sugeriu que Lico telefonasse para o centroavante Nildo (ex-Santos, Grêmio e Portuguesa de Desportos), que atua na Caldense (MG). À noite, o supervisor esperava concluir a transferência. Encontrar um artilheiro-matador, aliás, virou uma espécie de obsessão no clube. Não adiantaria nada mudar de técnico se não temos quem faça gols, afirma Guergoletto, que até admite a permanência de Val de Mello do comando do time. O futebol depende de resultados. O Val já provou que é competente.
O meia-atacante Luciano Araújo, ex-Londrina, desligou-se do Brasil de Pelotas (RS), iniciando ontem um período de observação no LEC. Se estiver fisicamente bem, deve assinar contrato e possivelmente estrear domingo.
O Atlético Paranaense acertou ontem a compra de uma parte do passe atacante Rodrigo (o Londrina continua como parceiro) e pretende levar o meia Luciano, que também interessa ao Malutrom. Val de Mello recomendou à diretoria que mantenha Luciano no grupo pelo menos até o próximo jogo, pois, sem ele, teria maiores problemas para escalar o time. O zagueiro central Ivanildo, que se recuperou de uma pancada no joelho, participa do coletivo de hoje à tarde no Estádio VGD. O quarto-zagueiro Vanderlei Santos (contratura na coxa) e o meia Eraldo (dores na barriga) dependem de outra avaliação.
São PauloDorico da SilvaAo trabalhoVal carrega cones em seu primeiro treino como técnico interinoNelson Cilo





