São Paulo - Michael Phelps foi flagrado consumindo maconha, Kobe Briant enfrentou acusação de estupro em 2003 e Mike Tyson não escapou da cadeia pela mesma acusação em 1992. Adriano some depois do jogo da seleção, não dá satisfações à Internazionale e é localizado dias depois na casa de familiares em uma favela do Rio. Ronaldo e Robinho se tornaram pais e, dias depois, o primeiro foi fotografado em balada enquanto o segundo teve de se explicar com a polícia inglesa para não ser acusado de estupro. O torcedor pergunta: como esses atletas tão bem sucedidos, com tudo o que o dinheiro e a fama podem proporcionar, colocam a carreira em risco assim?
A psicóloga brasileira Cristina Versari, da San Diego University for Integrative Studies, que trabalha com atletas da NBA há 20 anos nos Estados Unidos, defende a teoria de que as mancadas dos astros podem ter uma explicação. A estudiosa defende que boa parte dos esportistas de alta performance sofrem de Athlete Developmental Deficit (ADD), ou Déficit de Desenvolvimento dos Atletas.
''Como os esportistas sacrificam a adolescência e a juventude em concentrações ou dormindo cedo para treinar, acabam abrindo mão de uma fase importante do desenvolvimento emocional e ficam atrasados em relação à média da população'', explicou. O resultado, segundo ela, é que alguns mostram uma imaturidade que em alguns casos chega ao absurdo de não saberem assinar um cheque.
O ex-jogador da NBA, Lamond Murray, diz que a mudança de vida da pobreza tem vantagens, mas traz desafios. Um eles é saber em quem confiar. ''E você passa ser aquele que está lá para pagar a conta, seja para amigos, parentes... Você deixa de ser visto como uma pessoa''. O resultado é que muitos tratam os outros da mesma forma, na dinâmica do ''eu pago, você me deve''.
Murray fala que a vida de um astro pode ser solitária. ''Na NBA todos querem ser o número 1. O ambiente é competitivo. Se você tropeça, não terá apoio dos seus colegas''. O ex-jogador da NBA garante que também não faltam falsos amigos, dispostos a tirar proveito de um tropeço.
Depois que a carreira é encerrada, os problemas se agravam. ''Na NBA, cerca de 50% dos atletas se divorciam'', contou Cristina. A psicóloga se especializou em ajudar atletas a enfrentar essa etapa, a perda da identidade na sociedade, a falta de um papel na família por estar sempre longe de casa, a queda do poder aquisitivo e a falta de perspectiva de futuro. A maioria dos atletas não planeja o futuro. ''Muitos enfrentam a depressão''.
Segundo a psicóloga, é importante o atleta planejar o futuro durante a carreira e recomenda investir no estudo. Segundo Cristina, muitos ex-atletas da NBA se salvam por ter um diploma universitário. ''Um deles me contou que só se formou para convencer o filho a estudar. Hoje ele é técnico e admite que, não fosse o diploma, não estaria trabalhando''.

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