Os portadores de deficiência que moram em Curitiba encontram dificuldades para se locomover na cidade. O calçamento, banheiros públicos e transporte são apontados por eles como os maiores obstáculos para a circulação.
Segundo dados da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), existem 150 mil pessoas em situações que variam desde andar de muletas, cadeiras de rodas ou andadores. Mas uma maior participação das entidades representativas nas decisões oficiais poderia melhorar o quadro. ‘‘Muitas vezes o equipamento é instalado, mas ele não está totalmente adaptado às nossas necessidades. Nós que os utilizamos e sabemos das dificuldades enfrentadas poderíamos opinar de forma mais participativa’’, disse Nivaldo Menin, presidente da ADFP.
Nos últimos três anos a Prefeitura investiu R$ 2 milhões na melhoria dos equipamentos através do Fundo Municipal de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência. A verba foi destinada para a execução de 75 projetos de atendimento. ‘‘Temos muita coisa a ser feita, mas é inegável que Curitiba avançou bastante nessa área nos últimos anos e atualmente outras prefeituras nos visitam para conhecer os projetos’’, disse Regina Ester da Cruz, coordenadora da Assessoria Especial de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência.
Entre os principais problemas discutidos estão os banheiros localizados na Rodoferroviária, que foram reformados mas ainda assim não são operacionais. ‘‘O local reservado aos deficientes fica no fundo e não há espaço suficiente para a locomoção, principalmente para quem está em uma cadeira de rodas. É difícil utilizá-los sem que esbarremos em alguém’’, disse Menin.
Para quem mora na periferia os problemas aumentam. Há déficit de ônibus adaptados para atender os portadores de deficiência em locais mais afastados. ‘‘Quanto mais longe do centro piora a situação, pois dependemos cada vez mais da solidariedade dos outros’’, afirmou o presidente.
Dados da prefeitura, no entanto, indicam que diariamente são transportados 2.600 alunos portadores de deficiência entre suas casas e as institutições. São 38 ônibus especiais com linhas exclusivas diretas. A frota curitibana de transporte coletivo é capaz de tranportar 166 mil deficientes físicos. São duas vagas especiais para cadeira de rodas em cada um dos 109 ônibus biarticulados e 310 ligeirinhos. E 172 das 266 estações-tubo têm elevadores usados 200 vezes por dia. Na área de lazer foram investidos R$ 440 mil na reforma e adaptação da praça Plínio Tourinho.
‘‘Não adianta fazer obras ou instalar equipamentos se, por causa de detalhes, eles não podem ou não são utilizados como deveriam’’, disse Menin. Segundo Regina Ester da Cruz, a prefeitura mantém uma relação de parceria com a ADFP e atende suas reivindicações.
Dificuldades – O bancário Jórdinei Borges, 45 anos, utiliza um andador desde os 25 anos, quando sofreu um acidente de moto. Ao tentar caminhar pelo calçadão da Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba, as rodas de seu aparelho não deslizam normalmente. ‘‘O piso é muito ruim. Precisaria ter outra alternativa para facilitar o nosso movimento’’, disse.
Na opinião de Borges, calçadas como a da Rua XV, em estilo ‘‘petit pave’’, são problemáticas porque impedem o movimento das rodas. Segundo a ADFP, alguns pontos têm rebaixamento, mas não em número suficiente para atender as necessidades. No caso de Borges, ele precisa muitas vezes ‘‘pular’’ da calçada para a rua.
Para Sérgio Chautard Filho, 39 anos, o transporte é um dos principais obstáculos. Desde os sete anos ele caminha auxiliado por duas muletas. ‘‘Como há poucas linhas com ônibus adaptados, é muito trabalhoso entrar nos coletivos’’, disse.
Ele trabalha como supervisor dos atendentes terceirizados dos Correios. Diariamente chega a se deslocar em até 12 coletivos. ‘‘Utilizo bastante porque preciso circular pelas agências’’, afirmou. Segundo ele, os equipamentos precisam ser melhor adaptados às situações vividas pelos portadores de deficiência diariamente.