São Paulo - O zagueiro Paulo André, um dos líderes do movimento Bom Senso FC, avisou ontem que os jogadores não ficaram satisfeitos com as decisões tomadas na reunião da última segunda, com representantes dos clubes, da CBF e da TV Globo, que detém os direitos de transmissão dos principais campeonatos nacionais, para discutir mudanças no futebol brasileiro. Para ele, nem mesmo a definição de que não haverá jogos no Brasil em janeiro de 2015, para que possa haver uma longa pré-temporada, foi suficiente.
Para ele, se o número de jogos não forem diminuídos, o calendário apenas ficará mais "apertado", o que não soluciona o problema do futebol brasileiro. "Para 2015, não estamos satisfeitos com a quantidades de jogos que terá. Tem dez meses e um limite de até 85 partidas, então dá até mais de oito jogos por mês", disse o zagueiro do Corinthians.
Paulo André destacou que no Brasil se disputam muito mais partidas, além das viagens serem bem mais longas, do que no futebol europeu. "Você não verá ninguém ganhar tudo, é impossível essa quantidade de jogos, 25% a 30% a mais do que na Europa. Aqui se viaja 34 mil quilômetros em média por ano e oito na Europa", afirmou.
O zagueiro também defendeu a redução na duração dos campeonatos estaduais e garantiu que isso não atrapalharia os clubes pequenos. "Além de viajar mais, vai jogar 30% a mais? Por que não se pode reduzir o Estadual? Os pequenos não sobrevivem? Discordo. Eles só sobreviverão se tiver calendário o ano inteiro", comentou.
Líder do Bom Senso FC, ao lado de jogadores como Alex e Rogério Ceni, Paulo André disse não temer que a decisão de não realizar partidas em janeiro de 2015 seja desconsiderada com a mudança no comando da CBF, que terá eleições presidenciais no próximo ano. "Teoricamente, a gente tem a posição da TV Globo de que não haverá futebol em janeiro. Essa posição deve ser acordada com o futuro presidente da CBF", disse.
Na reunião da última segunda-feira na CBF, ficou decidido que um novo calendário será adotado a partir de 2015, porque não existe margem para alterações no ano que vem, quando acontecerá a Copa do Mundo no Brasil. E há a promessa de que serão 30 dias para férias e outros 30 para a pré-temporada.
Responsável por levantar a discussão sobre o calendário, ao reclamar do excesso de jogos e da falta de pré-temporada adequada, o movimento Bom Senso FC, que reúne alguns dos principais jogadores do futebol brasileiro, aceitou que mudanças no calendário aconteçam apenas em 2015, por entender que não seria viável alterar as datas no ano que vem. Mas Paulo André indicou nesta quarta-feira que os jogadores vão seguir com suas reivindicações por um calendário mais racional.

mockup