Só há espaço para vencedores em uma lista de convocados para a Seleção Brasileira. Mas sob cada um dos 18 nomes anunciados por Felipão está escondido outro caso de completa satisfação pessoal, de alguém que usa seu olhar atento para detectar a diferença de um jogador comum de um craque.
O nome de Aliomar Rodrigues Mansano, o Ticão, deve ser mencionado em qualquer história honesta sobre a ascensão fulminante do meia-defensivo Kléberson, o quinto jogador da região de Londrina a chegar à Seleção Brasileira principal – os outros são o goleiro Ado, o zagueiro Marinho, o atacante Élber e o meia-defensivo Vágner.
‘‘Continua simples e humilde, por isso é meu amigo. Depois da convocação, ligou para mim, agradecendo. Não precisava. É meu trabalho’’, conta Ticão, que considerou a temporada de 2001 ‘‘impecável’’ para seu pupilo.
‘‘Na época que chegou aqui só tinha um problema. Era muito peladeiro. Se deixasse, jogava o dia inteiro. Disputava campeonato de fazenda, citadino de futsal. Ninguém conseguia fazer ele parar de jogar bola’’, recorda o supervisor-geral do Paraná Soccer Technical Center (PSTC), onde o meia-defensivo foi revelado.
Criado em 1995, o PSTC possui um centro de treinamento em Londrina e, em breve, um segundo estará em funcionamento em Cambé. Atualmente atende 120 adolescentes, de 13 a 17 anos, muitos deles de outros estados do País. Mais da metade mora em alojamento próprio. Todos recebem material esportivo, passe e ajuda de custo.
Kléberson chegou ao PSTC aos 15 anos. Foi reprovado na peneirada Treinou um ano no Nichika e foi ‘resgatado’ por Ticão. ‘‘Sempre apostei nele. Tinha um toque refinado. Muita técnica’’, resume. Voltou, defendeu o time por dois anos em várias competições estaduais e brilhou até ser negociado com o Atlético. Recentemente, o clube curitibano quis comprar a metade do passe que pertence ao PSTC, que recusou a oferta. ‘‘Podemos esperar mais um pouco’’, explicou.

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