Declarações de cartola azedam clima no Flamengo
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
<br> Reportagem Local 
O clima azedou de vez no Flamengo. A insatisfação do elenco rubro-negro já era grande com os atrasos salariais, mas uma declaração do vice-presidente de finanças, Michel Levy, acabou de vez com a paz na pré-temporada flamenguista e motivou os jogadores a fazerem uma greve de silêncio.
Levy afirmou que ''um ou dois marqueteiros estão fazendo barulho'' em referência aos jogadores que reclamaram publicamente dos atrasos. Por causa disso, os jogadores se recusaram a dar entrevistas ontem. Assim, coube ao técnico Vanderlei Luxemburgo a missão de tentar amenizar a crise interna entre grupo e diretoria. O comandante, porém, fez questão de deixar clara sua insatisfação com o departamento financeiro.
''Tem muita coisa à flor da pele, se não tiver cuidado vai tudo para o espaço. As entrevistas dos jogadores, a declaração do vice financeiro Michel Levy... Se partir para o confronto não vai chegar a lugar nenhum. Os jogadores estão se empenhando, mas é um direito inalienado de todo cidadão brasileiro reivindicar seus direitos e o clube tem algumas pendências com os jogadores'', cobrou Luxemburgo, que alfinetou Levy. ''Foi um pouco de infelicidade da declaração do Michel Levy de que tem marqueteiros de plantão, essas coisas. Os jogadores são profissionais. Também sei que a Patricia (Amorim, presidente) está buscando recursos para cumprir seus compromissos. Não quero que meus jogadores sejam chamados de marqueteiros, eles são profissionais'', respondeu o treinador.
Luxemburgo insistiu no direito dos seus comandados de cobrar a dívida. ''Se tivéssemos contratado jogadores e sem atraso de luvas, a conversa seria outra. Os jogadores estão certos em falar. Eles não são mercenários, falaram a verdade. Os jogadores que falaram estão certos e sei que o clube vai cumprir, mas quanto mais rápido melhor, para evitar esse confronto. Sinto que não tem atrapalhado o trabalho.''
Apesar da tentativa de Luxemburgo de amenizar a crise, está claro que a maioria dos jogadores não aceitou as declarações do cartola. Outro motivo da indignação é a falta de satisfações sobre os atrasos.
''Eu continuo incomodado, foi uma reivindicação que fiz a Patricia quando cheguei ao clube em outubro de 2010, que para cobrar dos jogadores é importante eles estarem com os compromissos em dia, senão cria esse desconforto. Isso é ruim. Cobro sempre deles, brigo por eles. Não estou satisfeito, poderia ser diferente'', completou o treinador.
E é nesse clima que o Flamengo faz seu primeiro jogo da temporada, amanhã, contra o Londrina, às 20h30, no Estádio do Café.


