Decisão da Copa JH vai para o 'tapetão'
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segunda-feira, 01 de janeiro de 2001
Da Redação e Agência Folha 
A pergunta é: quem é o campeão da Copa João Havelange? Ninguém sabe. Amanhã o comitê executivo do Clube dos 13 deve se reunir para decidir o que fazer. A marcação de um novo jogo parece ser improvável já que muitos jogadores dos dois clubes tiveram seus contratos terminados ontem e estão sendo negociados com outros clubes. Há a possibilidade de que o título seja dividido entre o São Caetano e o Vasco.
A Copa João Havelange, desde sua elaboração caminhou como uma tragédia anunciada. Não poderia ter sido pior, do inchaço, da virada de mesa, do regulamento esdrúxulo e da falta de comando, conseguiu sábado superar sua própria natureza.
No segundo jogo da decisão do torneio criado pelo Clube dos 13, entre Vasco e São Caetano, no estádio de São Januário, no Rio, um alambrado desabou na metade do primeiro tempo, dando início a um festival de desorganização, violência e trapalhadas e deixando temporariamente vago o posto de campeão brasileiro de 2000.
A partida estava empatada em 0 a 0 quando aconteceu o acidente, causado por uma briga entre torcedores do Vasco, que dominavam as arquibancadas - o São Caetano não recebeu ingressos.
Mais de 150 pessoas ficaram feridas e foram atendidas no Hospital Souza Aguiar. O jogo foi paralisado pelo árbitro Oscar Roberto Godoi, enquanto o campo foi invadido pela torcida. Foram 70 minutos de caos, até que Godoi, após uma ordem do governador do Rio, Anthony Garotinho, decidiu não dar continuidade à partida.
Instantes antes do anúncio do juiz, o secretário da Defesa Civil do Estado, Paulo Gomes Filho, informara que havia condições para que o jogo fosse reiniciado -os dois times já estavam preparados.
O que transcorreu durante os 70 minutos em que a partida esteve paralisada (das 16h35 às 17h45) vai entrar para o anais do futebol.
Em meio ao socorro dos acidentados, enquanto os representantes do Clube dos 13 assistiam a tudo impassíveis, o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio, Eduardo Viana, e o presidente eleito do Vasco, mandaram no gramado, liderando operação para que a final fosse retomada.
Helicópteros pousavam no gramado para atender e resgatar feridos, ao mesmo tempo em que Eurico e Viana diziam que tudo estava tranquilo e que o jogo poderia ser retomado tudo pontuado por declarações preconceituosas.
Está tudo tranquilo. Não tinha nenhum paulista na torcida. As resoluções aqui são minhas. Isso aqui não é terreiro de nenhum suburbano de São Paulo, afirmou Viana, ao saber que o presidente do São Caetano solicitara a suspensão da final.
Pelo regulamento da Copa JH, a partida deveria ser realizada amanhã, um dia após seu cancelamento. O atacante Romário, que não estava em campo no momento da paralisação, não poderia jogar.
O dirigente vascaíno chamou Garotinho de frouxo e incompetente por ter ordenado o encerramento do jogo.


