O campeão brasileiro de 1996 será conhecido hoje, quando o árbitro mineiro Márcio Rezende de Freitas apitar o final do jogo entre Grêmio e Portuguesa, no Estádio Olímpico de Porto Alegre. À Portuguesa, que venceu a primeira partida, por 2 x 0, quarta-feira, no Morumbi, interessam dois resultados: empate ou derrota até por um gol de diferença. Ao Grêmio, uma única alternativa: ganhar por diferença de dois gols.
Se o Grêmio terá o apoio maciço de aproximadamente 60 mil torcedores, no Estádio Olímpico, a Portuguesa consegue ser simpática perante quase todos os brasileiros. Afinal, a equipe da colônia portuguesa em São Paulo nunca venceu um Campeonato Brasileiro e, considerada ‘‘zebra’’ na reta final da competição deste ano, mostrou em campo perseverança e humildade. Além de jogar um futebol veloz e ofensivo, comandada por Cândido Souto Mayor, o Candinho. O Grêmio de Luiz Felipe Scolary confia no seu futebol-força para tentar chegar ao segundo título brasileiro da sua história - o primeiro foi em 1981.
Com Arce Somente um titular, o zagueiro Adílson, não estará em campo, vestindo a camisa do Grêmio. Esta, pelo menos, era a tendência predominante. O lateral-direito Arce, principal dúvida do técnico, deverá atuar. É a terceira vez que a bandeira azul, branca e preta estará em uma final do Brasileirão. Em 1981, o clube venceu o São Paulo, no Morumbi, com um gol de Baltazar, e levantou sua primeira taça. No ano seguinte, perdeu a decisão, no Estádio Olímpico, para o Flamengo, com um gol de Nunes. Mas a promessa do vice-presidente Denis Abrahão é de que, agora, a história será outra. ‘‘A alma castelhana do Grêmio e sua raça estarão em campo’’, avisa. Anteriormente, Abrahão prometeu que a equipe irá ‘‘patrolar’’ a Portuguesa. ‘‘Mas tudo dentro da lei do jogo’’, ressalvou.
A última partida contra a Portuguesa na capital gaúcha igualmente não entusiasmou. Terminou com uma vitória gremista, por 1 x 0, extremamente suada. O gol salvador surgiu somente aos 45 minutos, através do cabeceio do zagueiro Rivarola. Os portões do Olímpico serão abertos às 15 horas. Espera-se que 55 mil pessoas ocupem o estádio logo depois.
Tarimbado em decisões, o técnico Luiz Felipe Scolari chegou a declarar ter ‘‘uma esperança mínima’’ na presença de Arce. Mas a necessidade da equipe - Arce é uma poderosa jogada pela direita, tanto arrematando em gol quanto cruzando para o cabeceio - e o caráter de decisão conspiram a favor da sua participação.
Se Arce não tiver condições, Scolari lançará mão do meia Ailton, já testado na função. O reserva imediato, Marco Antonio, foi expulso na partida anterior. O técnico ainda deveria manter, até a hora do jogo, mais uma dúvida. Não revelou quem usará para substituir Adílson. Poderá ser Mauro Galvão ou Luciano, com maiores chances para o primeiro.
Uma guerra A Portuguesa vai à Porto Alegre preparada para uma verdadeira guerra. Dos jogadores aos dirigentes, todos sabem que a torcida gremista vai pressionar do começo ao fim, e ninguém espera complacência do árbitro se a partida ficar ‘‘quente’’ também dentro do campo. Por isso, Candinho preparou seus jogadores para enfrentarem todo o tipo de hostilidade, sem perder a cabeça. ‘‘Só a Portuguesa iria sair perdendo’’, prevê o treinador.
Taticamente, a Portuguesa não apresentará novidades. Candinho vai armar sua equipe da mesma forma como enfrentou Atlético e Cruzeiro, dentro do Mineirão, nas fases anteriores do Brasileiro: tomando a iniciativa de atacar, para não se ver sufocada pelo adversário.

mockup