O meia Jadson, do Shaktar Donetsk, foi o primeiro jogador a se apresentar ao técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, em Paris, onde o Brasil enfrenta a França, no Stade de France, amanhã, às 18 horas. Calouro na escola do professor Mano, o londrinense não escondeu o nervosismo e ansiedade por entrar para o seleto grupo de jogadores com passagem pela seleção nacional.
Aos 27 anos, Jadson acabou de completar seis temporadas no futebol ucraniano. Como presente, ganhou a convocação para a seleção, a primeira de sua carreira. O ex-atleticano foi campeão nacional três vezes pelo Shakhtar, conquistou uma Copa da Ucrânia e na temporada 2008/2009 participou do maior título da história do time: a Copa da Uefa (atual Liga Europa). Entretanto, vê nesses dias de treino para o amistoso da seleção seu maior desafio, o de conquistar a confiança e o apreço do comandante canarinho.
''Eu sempre sonhava com essa convocação e graças a Deus começamos 2011 com essa oportunidade, que espero agarrar com unhas e dentes'', disse o meia, revelado pelo PSTC de Londrina.
Em setembro do ano passado, em entrevista exclusiva à FOLHA, ele falava do sonho de ser convocado um dia e se dizia animado com as chances que Mano havia dado aos seus companheiros de clube, Fernandinho e Douglas Costa.
Ontem, ele interrompeu o descanso após o almoço e antes do primeiro treino para atender a FOLHA. Falou do nervosismo da chegada, do desafio de substituir Kaká e Paulo Henrique Ganso, já que Mano afirmou que convocou ele e o também meia Renato Augusto para testar opções para a posição, e da ameaça de bomba no aeroporto de Paris justo na hora em que ele chegava. Confira:
Folha: Passou um susto logo na chegada aí em Paris?
Jadson: Até que não. Quando eu cheguei, tinha um pessoa da CBF me esperando e eu não sabia de nada. Daí, uma moça me falou que teve um atentado a bomba um tempinho antes. Chegaram a fechar o aeroporto, mas eu não passei susto não, foi antes.
Folha: E como foi o primeiro contato com os jogadores?
Jadson: No começo eu fiquei nervoso, mas depois desci para almoçar com os jogadores e fui me enturmando. São todos gente fina (sic), me receberam bem.
Folha: Com a contusão do Paulo Henrique Ganso e do Kaká, o Mano ficou sem ter um titular nesta posição que você joga. Tanto que já falou que quer testar você e o Renato Augusto. Já imaginou começar o jogo com a 10 do Brasil?
Jadson: Vou pegar esses dois treinos (ontem e hoje) para tentar agarrar a vaga. Tenho o sonho de começar jogando, mas tem jogadores de qualidade na posição, como o Renato Augusto e o Hernanes. Quem decide é o Mano. Seria ótimo ser titular, mas se eu puder entrar durante o jogo também será fantástico.
Folha: Vamos voltar ao dia da convocação. Foi fácil acreditar que seu nome estava na lista?
Jadson: Olha, não acreditei na hora, não. Quando meu empresário me ligou dizendo que eu havia sido convocado, não acreditei. Corri para o computador e vi a lista, vi meu nome e aí caí na real. É a oportunidade que todo jogador sonha.
Folha: O Shakhtar foi a grande surpresa da fase de grupos da Liga dos Campeões. Esse desempenho foi decisivo para a sua convocação?
Jadson: Nosso time vem fazendo um bom trabalho nos torneios europeus, como a Liga dos Campeões e a Copa da Uefa, e todos os brasileiros estão bem (além dele, de Fernandinho e Douglas Costa, o time ucraniano tem ainda os meias William e Bruno Renan, e os atacantes Alex Teixeira e Luís Adriano, além de Eduardo da Silva, naturalizado croata, e o boliviano Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, que já defendeu seleções de base do Brasil). Eu sempre sonhava com essa convocação. Graças a Deus começamos 2011 com essa oportunidade e espero agarrar com unhas e dentes.
Folha: Mas foi por pouco que você não vestiu outra camisa amarela, não é?
Jadson: O pessoal do clube conversou comigo a respeito da naturalização (para a Ucrânia). Fazia um ano já, mas o tempo passou e ninguém falou mais nada. Mas meu sonho sempre foi a seleção brasileira.
Folha: Em 98 você tinha 15 anos. Acredito que tenha assistido aquele fatídico França 3 x 0 Brasil. Passou pela sua cabeça que sua estreia pela seleção seria justamente no Stade de France, contra o time francês?
Jadson: Eu tinha o sonho de jogar futebol. Depois, o sonho de jogar pela seleção, mas nunca imaginei que iria estar em Paris, naquele estádio, enfrentando a França. Só Deus mesmo para fazer isso na minha vida.

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