O oval ocioso sempre foi um ''calcanhar de aquiles'' do autódromo desde a sua inauguração. O pequeno circuito de 455 metros de extensão localizado à direita de quem entra foi idealizado por Beto Monteiro nos mesmos moldes dos ovais dos Estados Unidos, onde o ex-piloto já morou. Ele explicou, durante o debate da Folha, que o espaço, que inclusive recebeu uma arquibancada para o público, não vem sendo usado para ''pegas'' e corridas porque a prefeitura, que gerenciou o autódromo de 1992 a 2004, colocou empecilhos à sua utilização logo que o oval foi construído.
Embora a pista pareça muito curta, Monteiro garante que ela atende ao padrão dos ovais norte-americanos, que lá são utilizados por todo tipo de veículo: kart, bicicleta, caminhão, carros de passeio e até Fórmula Indy. ''Os ovais são um espaço para tornar popular o automobilismo. Nos Estados Unidos existem quase mil iguais a esse, todos com a medida de um quarto de milha (455 metros), mas a maioria é de terra'' afirmou.
Monteiro acrescentou que devido à segurança que oferece, o oval também é ideal para iniciantes, podendo servir como escola de pilotagem. ''A média de velocidade no oval é 80 Km/h. Mantendo essa velocidade constante, é só usar acelerador e direção. Quando se chega nas curvas é só tirar um pouco o pé que o carro entra sozinho no traçado, devido a inclinação da pista para dentro. Não capota, nem bate no muro'', assegurou.
Marcos Prochet, que coordenou a construção do autódromo e presidiu o Automóvel Clube do Café (ACC) até 1993, contou que antes da inauguração do autódromo o oval era amplamente utilizado, só que sem nenhuma regularização. ''Aquilo era uma festa e o oval enchia todo dia. Tinha pegas de motos, de carros de passeio. Acho que deveria voltar a se abrir o espaço para o pessoal correr lá, porque atraía muita gente. Quanto mais pilotos tem na pista mais público também na arquibancada'', observou.
Prochet sugeriu liberar o oval para pessoas comuns correrem ''para desestressar'' nas horas de folga e também a realização de provas entre carros de passeio de até 1.000 cilindradas. ''Assim teríamos uma categoria barata e mais gente praticando automobilismo na cidade'', apontou.
Segurança O presidente da Federação Paranaense de Automobilismo, Rubens Gatti, alertou que ''tudo precisa ser feito com segurança e critério''. ''Concordo com a abertura ao público, mas é preciso primar pela segurança, porque em caso de acidente grave ou com morte a diretoria do Automóvel Clube seria responsabilizada criminalmente'', advertiu.
Prochet rebateu dizendo que há riscos em todas as atividades. ''Não dá para fecharmos as portas às iniciativas. Se não quisermos correr risco nenhum, não deveríamos estar no automobilismo'', opinou.
Torcendo para que o espaço seja enfim aberto para corridas, Monteiro se colocou à disposição do ACC para buscar patrocinadores para a pavimentação do oval. O asfalto ficou deteriorado sem o uso e o recapeamento custaria R$ 30 mil, segundo ele. Outros R$ 20 mil seriam necessários para obras de proteção externa. As propostas serão encaminhadas a Júlio Saravy, diretor do ACC que ficou responsável exclusivamente pelas discussões sobre o oval. (J.K.)

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