Santos - Recém-contratado pelo Santos, o volante Zé Elias não descuida dos treinamentos para entrar logo em forma. Ele fez sua estréia pela equipe na última quarta-feira, contra o Paraná Clube, pela Copa Sul-Americana, mas sentiu a falta de ritmo de jogo. Depois de atuar durante oito anos em times estrangeiros como o Bayer Leverkusen e a Internazionale de Milão, o atleta está se preparando também para a readaptação à vida no Brasil.
''Por mais que tenha defeitos e o pessoal fale na violência, sou suspeito para falar porque acho o Brasil o melhor país do mundo. Sou muito patriota.''
Ele não estranha muito o que mudou na vida do brasileiro desde que saiu, em 96, porque nunca perdeu o contato. Sempre que estava de férias retornava e é por isso que fez questão que seu casal de filhos - Júlia e Pedro Henrique - nascesse no Brasil. Acha, porém, que o futebol brasileiro mudou muito e quer se adaptar o mais rápido possível a ele. ''O jogo está mais rápido e corrido do que no tempo em que eu jogava.''
Zé Elias, que deixou o País como o Zé da Fiel, tal sua ligação com o Corinthians, acha que isso pertence ao passado. ''Tenho que fazer no Santos o mesmo que fiz no Corinthians, no Bayer e em todos os clubes que passei''. Ele acha que não haverá problema de identidade do torcedor santista.
''Meu plano é ficar na Vila Belmiro o máximo possível e vou trabalhar para isso. A recepção que tive por parte do Vanderlei Luxemburgo, do presidente Marcelo Teixeira e do grupo de jogadores foi muito carinhosa e isso é importante para um atleta''.
Na verdade, se depender dele permanecerá no Santos por cinco ou seis anos, quando poderá parar de jogar. Embora isso ainda esteja distante, Zé Elias pensa no que fazer depois de abandonar os campos. Um de seus planos é voltar a estudar, provavelmente fisioterapia, uma vontade que tem desde a adolescência. ''Mas penso também em trabalhar com crianças. Tenho jeito para isso'', comenta, pensando em passar seus conhecimentos aos garotos que pretendem jogar futebol.
Esse seu jeito com a criançada foi confirmado com o nascimento de seus filhos. Aí o Zé Elias que já era caseiro, ficou mais ainda em casa. Seu hobbie preferido era ver futebol na televisão. ''Assistia jogos o tempo todo, de manhã, à tarde e à noite, mas agora isso mudou. Redescobri os desenhos que assisto com as crianças, como a Mônica e o Tom e Jerry e acho isso muito bom''.
Zé Elias dá muito valor à vida simples e não se esquece das dificuldades que passou quando tinha de treinar três períodos por dia, quando saia de casa às 6 horas da manhã, voltava a uma hora da madrugada e vivia do que ganhava no futebol de salão. ''Tinha de pagar a condução e sempre ajudava nas despesas de casa'', revelou. Teve de deixar os estudos aos 15 anos, quando estava no segundo colegial, mas realizou muito cedo o sonho de todo jovem atleta: com 19 anos, já tinha passado pelas seleções juvenil, olímpica e principal e foi atuar no futebol europeu.
Nem essa rápida consagração mudou sua vida e até hoje ele acha que ''existem outros valores que o dinheiro e os bens materiais e os meus são a família, o respeito, pois essa é minha formação.''

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