Antonio Marques de Souza, do Bar do Souza, e Antonio Kanashiro, o ‘Baiano’ do Baiano das Batidas, donos de dois dos bares mais tradicionais de Londrina, se preparam para mais uma daquelas noites em que só o apito do juiz vai definir o humor dos próximos dias - no caso de hoje, o confronto entre Palmeiras e Corinthians, que disputam uma vaga nas semifinais da Libertadores.
Para o torcedor comum, toda vez que o time é derrotado é duro ter que, no dia seguinte, no trabalho ou na escola, aguentar os ‘‘amigos corneteiros’’ que chegam a fazer fila para tirar um sarrinho. É um drama - e muitos chegam a perder a esportiva. Agora, e quando o torcedor é um dono de bar frequentado diariamente por centenas de pessoas? Aí o bicho pega. O jeito é estampar um sorriso amarelo e aguentar as piadas e gozações da freguesia.
No Bar do Souza, que existe há 24 anos, a TV já está preparada para a festeira platéia que invade o local em dias de jogo. No Baiano das Batidas, aberto há 27 anos, também haverá uma TV para os mais fanáticos.
Souza e Baiano compartilham o mesmo ramo de atividade, mas não as cores da camisa. O primeiro é palmeirense convicto: ‘‘A vitória será nossa’’, diz ele, alheio ao riso do funcionário são-paulino que acompanha a entrevista e não perde a oportunidade de lembrá-lo da goleada de 5 a 1 sofrida pelo Verdão no fim-de-semana. A resposta vem mais ligeira que os piques do lateral Serginho, autor de três gols no clássico de domingo passado pelo Paulistão: ‘‘Não cai avião todo dia, cai? Aquilo foi uma zebra’’, rebate Souza.
A situação do clássico de hoje se inverteu. Na última partida entre as duas equipes, quarta-feira passada, o Corinthians vinha de várias derrotas e o Palmeiras aplicou-lhe mais uma - 2 a 0. Agora, quem vem de derrota é o Palmeiras. Baiano, corintiano doente, animado com os últimos resultados da equipe, diz, esperançoso: ‘‘Nós vamos ganhar de dois a zero e depois nos pênaltis’’. Para depois reconsiderar: ‘‘Acho que faremos três a zero’’.
‘‘Não precisa nem ser campeão. Vencendo o Corinthians já estamos satisfeitos’’, alfineta Souza. Segundo ele, o motivo é simples: ‘‘Perder é pior que ressaca, porque ressaca a gente cura no dia seguinte, a derrota significa pelo menos uma semana de gozação’’.
‘‘Nem penso em derrota. No jogo passado não cheguei a ficar triste porque o Corinthians jogou muito bem, só que a bola não entrava de jeito nenhum. Foi uma partida anormal, mas amanhã (hoje) será diferente’’, confia Baiano.
O jogo promete emoções e a quinta-feira, muitas gozações. Afinal, o futebol é uma caixinha de surpresas, a bola é redonda, o campo retangular, são onze contra onze e o jogo só termina quando acaba.

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